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Manu sobre 'BBB': 'Eu irritava o Boninho mesmo, mas viramos grandes amigos'

Manu Gavassi - Divulgação
Manu Gavassi Imagem: Divulgação

Renata Nogueira

Do UOL, em São Paulo

11/05/2020 12h00

A garota errada provou ser uma das escolhas mais certas do elenco do 'BBB 20'. Terceira colocada nesta edição, Manu Gavassi cumpriu seu objetivo de se apresentar a um público diferente e também ajudou o programa a renovar sua audiência, colaborando com o que idealizou Boninho ao misturar anônimos e famosos pela primeira vez dentro da casa mais vigiada do Brasil.

Agora ex-BBB, título que ostenta com orgulho, Manu Gavassi falou com o UOL por telefone de sua casa, em São Paulo. No papo, ela esclareceu o choque que levou ao deixar o "retiro espiritual", comemorou o sucesso da estratégia ousada que bolou para as suas redes sociais, lamentou a falta de tempo para retomar o contato com os amigos do programa e contou que o próximo passo deve ser mesmo a TV e o streaming. Bônus: ao lado de um ídolo!

Você sacava as estratégias do jogo, fazia VT e acabou com o quarto branco em 8 horas. Muita gente brincou que você era o terror de Boninho. Concorda?

Eu irritava o Boninho mesmo, mas no final ficamos grandes amigos.

É muito louco você trabalhar com entretenimento e entrar em um programa desses. Confesso que às vezes eu ficava até com um pouco de medo de irritar demais, porque eu era muito engraçadinha. Nas minhas justificativas de votos, em jogo da discórdia... Sempre dava uma fugida com humor! Mas o fato de eu ter ficado até a final mostra que as pessoas viram verdade naquilo.

Você criou uma estratégia inédita para alinhar o 'BBB' com as suas redes sociais. Como teve essa ideia?

Pensei em um trabalho que mostrasse a minha personalidade como um complemento do que eu estava mostrando lá dentro. Porém roteirizado. Como eu não tinha muitas informações, fiz três dias antes de ser confinada. Gravei 130 vídeos. Tinham todos os desdobramentos das situações que seriam mutáveis ali naquele universo. Gravei 14 vídeos de líder, por exemplo.

Eu estava morrendo de medo da Globo falar 'querida, não gostamos desse conteúdo que você deixou. Pode tirar senão você sai'.

Existia esse medo por ser uma coisa que nunca ninguém fez. Vai que eles não gostam. Mas eu fiquei super feliz que eles entenderam e de isso ter dado forças para o programa também. Foi algo que realmente conversou com o público.

A carta aberta para o Selton Mello deu tão certo que vai virar série. Essa conversa com ele já está rolando?

É real essa conversa. Sempre foi um sonho. Desde o ano passado, o Selton já sabia o que eu estava fazendo e gostava do meu trabalho. Claro, ele não sabia da brincadeira da carta aberta e nem que eu iria entrar no programa. Mas já estava acompanhando minha tentativa de ser roteirista.

Existe a possibilidade tanto de trabalhar com Selton [Mello] quanto de a série ir pra TV ou para o streaming

Fico muito feliz de ser uma coisa tão sincera, tão minha, e de ter dado certo nessas proporções. Abriu portas de uma maneira que eu só imaginei nos meus sonhos mais loucos.

Você saiu do 'BBB' faz poucos dias, mas já entrou na onda dos outros artistas e fez uma live. Vai ter mais?

Para mim, é tudo muito novo. Eu acabei de sair. Eu fiz uma live sem nunca ter visto uma live. Estou entendendo como o mundo está respondendo a isso.

Quero fazer mais lives sim, ainda não sei o formato, essa primeira foi na minha casa mesmo, na sala, porque eu brincava muito com isso no programa. Porque é assim mesmo que eu faço com os meus amigos. Recebo eles na minha casa e a gente nunca senta no meu sofá, a gente senta sempre no meu tapete.

Eu quis trazer essas pessoas novas para perto de mim. Eu tinha 4 milhões de seguidores, hoje tenho 14. São 10 milhões de pessoas novas para eu conhecer, me relacionar e me mostrar como artista.

E chegou a ver que a Ludmilla caiu na piscina cantando a sua música na live dela?

Eu fiquei honrada. Não acreditei que Lud, que pra mim é uma rainha, caiu na piscina e produziu um meme com uma música minha. Eu amei. Eu poderia cair na piscina de repente na próxima live...

Você teve uma torcida pesada de vários famosos aqui fora. Teve alguém que torceu por você e te surpreendeu?

A Lilia Cabral comentar nas minhas fotos agora e falar que é minha fã de carteirinha me emociona.

Recebi um áudio da Rita Lee e chorei por dias. Ela é meu maior ídolo e eu jamais imaginei que ela iria notar a minha existência até o final da minha vida.

Até agora, eu estou tentando entender o que aconteceu. Para mim ainda é muito estranho. Eu estava apenas em uma casa, olhando pro céu por muito tempo e indicando pessoas aos domingos. Então, foi um grande choque.

Falando em choque, é verdade que você entrou em pânico ao sair da casa e se deparar com a pandemia?

É mentira!

E eu não brinco com essas coisas. Várias pessoas próximas a mim tiveram crises de pânico e eu já lidei com isso muito de perto. Eu nunca tive uma crise de pânico. Eu só estava em estado de choque de ver como as coisas estavam e de tentar ser o mais consciente possível e o mais bem informada possível.

Chega um momento de visibilidade que existem quatro notícias por dia suas, e duas são mentira.

Mas entendi também que eu tinha que escolher as minhas batalhas. Se eu ficasse só falando que as notícias eram mentira, eu ia virar uma chata.

Algum dos participantes te surpreendeu negativamente aqui fora? Pelo o que fez ou falou, e você não sabia...

Ninguém me surpreendeu. O que me surpreendeu foi a proporção que tudo tomou. Lá dentro da casa não tem como estar em todas as conversas ao mesmo tempo, então muita coisa você não sabe. Você só sabe quando sai. Mas eu procurei ficar não vivendo isso após o programa.

Já foi difícil o suficiente cair em um mundo em que o coronavírus é realmente algo que faz você ficar preso dentro de casa, saber que as pessoas estão morrendo e que ainda não existe uma cura. Isso tudo já foi muito assustador.

Então, mais do que ficar buscando fofoquinha do programa, quem falou o que de quem, eu quis realmente entender o valor que o programa teve, todas essas discussões importantes que a gente abriu, e não quis focar caso a caso, o que cada um falou. Isso não importa muito agora.

Você chegou a ser cancelada por ter feito um comentário considerado racista. Como avaliou isso aqui fora?

Não tinha nada a ver com cor de pele o que eu falei do Daniel e da Marcela, tanto que depois eu fiz um outro comentário, até no mesmo dia, dizendo que também amava a paleta de cores da Thelminha com a Marcela. Elas estavam vestindo flores e deitadas juntas no chão.

Mesmo assim, se eu fiz um comentário que ofendeu alguém, eu vou rever esse comentário e pedir desculpa por isso.

A gente vive em uma sociedade racista, um país que é extremamente racista e que foi o último a abolir a escravidão. Temos resquícios disso até hoje. Eu sei muito bem que a gente tem que buscar cada vez mais se instruir, dar voz para essas pessoas e entender a nossa maneira de ajudar também. E quanto ao meu erro, não importa. Mesmo se eu não tive a intenção. Se eu ofendi uma pessoa, eu vou pedir desculpa.

Quando você falou sobre sororidade, houve um aumento de 250% na busca do Google. Como se sente de ter participado de uma edição histórica para as mulheres?

Thelma, Rafa e Manu - Rede Globo/Reprodução - Rede Globo/Reprodução
Imagem: Rede Globo/Reprodução

Esse casting foi muito bem feito. Eles colocaram mulheres extremamente inteligentes, cada uma em seu segmento. Tinha muita troca rica. Eu não tinha noção nenhuma de proporção, dimensão, mas nas conversas diárias com a Thelminha falava que sentia que aquela edição estava diferente. E sabia que a gente estava travando uma batalha muito importante ali.

Nunca vou entender a real dimensão porque não assisti, mas tenho muito orgulho de ter feito parte disso.

Como estão seus dias pós-'BBB'? O tempo passa mais rápido? Tem falado com o pessoal da casa?

Os dias estão absurdamente mais curtos. Quando você não tem nada para fazer e não tem um celular na sua mão, os dias são equivalentes a uma semana. Agora, já está tudo voltando ao ritmo normal.

Nos dois primeiros dias eu estava muito um camundongo condicionado. Acordei desesperada procurando meu microfone.

Sobre os amigos que fiz lá, a gente ainda precisa conversar. A vida fica tão louca que cada um está cuidando primeiro da sua própria saúde mental, depois da família, depois da carreira e só depois a gente pensa em se falar.