A Fazenda 9

Chico Barney

Onde está o verdadeiro Roberto Justus? Devolvam-no!

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Chico Barney

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Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Especial para o UOL

04/10/2017 16h12

A performance de Roberto Justus à frente de "A Fazenda Nova Chance" tem me atormentado muito.

Claramente deslocado, o apresentador consegue ler o TP e improvisar com a mesma falta de traquejo.

Até a entonação do texto, algo teoricamente básico para um profissional de comunicação com tantos anos de estrada como ele, está fora do tempo. Repete duas ou três variações com uma angustiante falta de nexo.

O que me incomoda mais é que nem sempre foi assim. Roberto Justus foi perfeito em suas temporadas no programa "O Aprendiz", da mesma RecordTV que exibe "A Fazenda".

Publicitário da velha guarda e tubarão dos negócios, Justus tinha uma postura justificada pela carreira de sucesso. E colocava essa persona a serviço do entretenimento, com discursos duros para cima dos postulantes ao cargo de assistentes em sua empresa.

O Justus taciturno e incisivo não tinha meias palavras. Não havia a necessidade dele criar empatia por nenhum participante. A dureza do apresentador era um traço de personalidade que fazia sentido naquele emaranhado de emoções do concorrido mundo corporativo.

E o mais importante de tudo: ficava excelente justamente por parecer genuíno. Aquela sisudez das salas de reunião do Aprendiz casam muito melhor com sua trajetória pregressa do que a simpatia burocrática que ele tenta construir na Fazenda.

Estamos vivendo uma era de fenômenos como os youtubers, onde a verdade (e a impressão da verdade) é fundamental na interlocução com a audiência. Não adianta você fingir ser algo que não consegue ser. O público não compra mais com tanta facilidade propostas meramente artificiais.

E a atual fase boa praça do Justus não consegue transmitir nenhuma verossimilhança.

"A Fazenda" ainda tem uma longa jornada para conseguir dar a volta por cima depois de um começo tragicômico. A primeira providência deveria ser reestruturar o programa para dar a Justus a liberdade de agir como o apresentador de "O Aprendiz".

Porque o dono de uma das agências mais bem sucedidas da publicidade mundial aliviaria para figuras como Marcelo Ié Ié, Rita Cadillac ou Conrado? Não é crível.

Justus precisa se convencer de que não é tão bom ator assim, desarmar de uma vez por todas aquele sorriso ensaiado e aceitar que pode ser um personagem autêntico dentro da estrutura do programa.

Questionar com pragmatismo bem humorado que questionava nas salas de reunião. Dar feedbacks que pareçam construtivos, mas que sejam acima de tudo um ótimo divertimento.

Roberto Justus é muito bom nisso, todos nós ainda lembramos muito bem. E estamos com saudades.

Volta, Justus!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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