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Nem Laércio nem Ana Paula sobreviveram ao "Tribunal da Internet"

Reprodução/TV Globo
31.jan.2016 - Ana Paula e Laércio estão no segundo paredão do "BBB16" Imagem: Reprodução/TV Globo

Mauricio Stycer

Crítico do UOL

03/02/2016 05h01

Sempre defendi que o maior prazer oferecido ao público por um reality show de confinamento não é a chance de espiar os candidatos, mas de julgá-los. E, ao fazer isso, o espectador revela seus valores, suas preferências, seus preconceitos.

Na noite de 7 de fevereiro de 2012, em um de seus melhores discursos, durante o “BBB12”, o apresentador Pedro Bial disse sobre o reality da Globo: “Não é só um programa de televisão. É um espetáculo de natureza humana que, ao contrário do que rumina o senso comum, sem dúvida revela muito mais sobre a natureza de quem espia do que de quem é espiado”.
 
E finalizou, dirigindo-se aos participantes: “Revela muito mais sobre quem vê do que sobre vocês que estão aí para ser vistos.”
 
Exatos quatro anos depois, o “BBB” segue mais firme do que nunca, produzindo o mesmo tipo de entretimento e prazer no público. Uma coisa mudou, porém: o alcance e a influência das redes sociais. 
 
Twitter, Facebook e outras redes se tornaram tribunais ruidosos, onde os espectadores (muitos deles protegidos pelo anonimato) compartilham os seus julgamentos sem censura ou pudor. No esforço de convencer os “jurados” sobre os seus pontos de vista, as conversas rapidamente evoluem para discussões violentas, salpicadas de intolerância. 
 
Diferentemente do que ocorre em tribunais de verdade, no STI (Supremo Tribunal da Internet)  não é necessário provas para julgar – basta recorrer a fórmulas como “ouvi dizer”, “li em algum lugar” e “me falaram que” para chegar a um veredito.  
 
Como disse Bial nesta terça-feira (2), a receita para um bom paredão é simples: “coloque duas pessoas em rota de colisão e deixa na mão do público o poder de decisão”.
 
A disputa que opôs Laércio e Ana Paula me chamou a atenção pelo tom pesado que assumiu nas redes sociais. Como tem ocorrido em discussões de outros assuntos, o caráter dos dois candidatos foi submetido a um massacre. 
 
O homem da barba azul foi eliminado com 54% dos votos. A moça “comprometida” com o “BBB” permaneceu. Mas nenhum dos dois sobreviveu ao julgamento.

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