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Especial BBB20

Adrilles: Pierrots, colombinas e arlequins no Carnaval amoroso do "BBB"

Renan e Munik são dois dos protagonistas das tramas do Carnaval amoroso BBBístico - Reprodução/TV Globo
Renan e Munik são dois dos protagonistas das tramas do Carnaval amoroso BBBístico Imagem: Reprodução/TV Globo

Adrilles Jorge

Colaboração para o UOL

08/02/2016 12h44

Pierrot, Colombina e Arlequim são personagens tradicionais de um Carnaval de amor desenganado. Pierrot, o apaixonado platônico por Colombina, moça romântica e sonhadora que cai na lábia de Arlequim, o espertalhão debochado.

Em carnaval amoroso BBBístico, a história se repete, com subversão de algumas personagens e aparição de outras variantes, mas quase sempre com um mesmo melancólico desfecho - ou princípio mesmo -  de quarta-feira de cinzas

Vamos observar por alto este conto de fadas moderníssimo e midiático:

Era uma vez Matheus, um micareteiro formoso, Arlequim moderno. Que no começo do jogo, na iminência de ser ou não eliminado, apaixonadamente dizia observar uma beleza cativante por dentro e por fora em Cacau, colombina doce e romântica, que acreditou no garboso rapaz. Não eliminado por sua promessa de amor que encantou os anseios de amor das telespectadoras, Matheus imediatamente converteu sua promessa amorosa em mera e frugal amizade colorida, sem maiores promessas que não alguns beijos e afetos em fins de festa e outros olhares afetivo-amistosos em Munik. Cacau chora, mas não perde suas esperanças de romantizar sua quaresma amorosa.

Era uma vez Munik e Juliana, colombinas moderninhas, cujos romantismos alimentavam seus desejos ferozes por Renan - este um misto de Pierrot sem foco e Arlequim que se engana, no afã de cativar todas as moças e todos os ‘’rolos’’. Renan dizia a toda hora que desejava Munik e Juliana, mas não agia, porque respeitava abstratamente um ‘’rolo’’ aqui fora, sem definição de compromisso ou status de relacionamento ou sexo definido. Até que foi vitimado por um beijo quase forçado de Munik, da qual já se arrependeu mortalmente.

Era uma vez um milhão e meio como prêmio, que turva a percepção do amor e do desejo sincero, que faz suspirar as fãs do reality, a fim de sublimar as frustrações amorosas e alimentar os sonhos românticos das colombinas telespectadoras.

Lembremos que o romantismo contemporâneo é meio paradoxalmente realista, como um autoengano de Renan, que se esquiva intencionalmente da verdade que ele e todos talvez já saibam.

Bem se sabe que em amor de BBB, as pessoas sabem que fingem que acreditam em fingimento. Tanto que quando o amor é real, parece fingido.

Ora, nada mais real que um reality show que mostra a construção de um amor em construção fluída e indefinida, não?

Uma moça que conheci certa vez me contou que deu um fora abrupto em seu marido. ‘’Mas você dizia me amar há uma semana’’’, teria respondido o rapaz exasperado. ‘’Quando disse que te amava, estava tentando me convencer’’, respondeu a moça. Conto de fadas moderno e atualíssimo. Real. E que se enquadra e explica este show de realidade movediça.

*Adrilles Jorge é jornalista, escritor e ex-participante do "BBB15"
 

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