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Adrilles: A falta de sexo e seus sintomas pulsantes nos habitantes do "BBB"

Reprodução/TV Globo
Munik exala a sexualidade sem rodeios da pós-adolescência Imagem: Reprodução/TV Globo

Adrilles Jorge*

Especial para o UOL

26/02/2016 07h30

Freud já dizia que tudo é sexo. Ou, melhor dizendo, a falta de sexo. Não tendo como realizar todos os seus desejos, o ser humano sublima suas necessidades mais instintivas. Construindo pontes, escrevendo livros, compondo governos, fazendo civilização, enfim. Isso na melhor das hipóteses. Na falta total de sexo e boas intenções ou talento, o sujeito fica neurótico, psicótico, perverso. Vira um sintoma ambulante.

Na ausência de boas obras em potencial num jogo de eliminação e na ausência total de sexo neste "BBB16", o programa virou uma caldeira de criaturas em forma de sintoma, neurose, histeria, perversão e psicose. Todas quase civilizadas. Algumas sublimes.
 
Vamos ao divã:
 
Munik exala a sexualidade sem rodeios da pós-adolescência. Respira o langor efusivo da juventude abrasiva que quer se reproduzir em prazeres e gerações vindouras. Diz amar beijos lânguidos e fetiches nada sublimados, como o xixi do namorado.
 
O entrave é o foco da moça: Renan.
 
Renan é um rapaz comprometido com a castração de seu desejo - que ele diz talvez quem sabe existir por Munik. Mas tem o prazer mórbido de apunhalar seu "quase desejo" por Pequi, erguendo um monumento moral à espessura e à grandeza do seu "rolo" indefinido, que ele diz possuir aqui fora. 
 
Sade, outro doutor em desejo, revelou o aparato do prazer sadomasoquista. O tormento da tortura prazerosa da recusa ao prazer. Munik tem seu gozo na recusa de Renan, que por sua vez faz de sua sexualidade um apelo para fora dos limites do muro de seu armário moral inviolável.
 
Reprodução/TV Globo
Matheus e Cacau Imagem: Reprodução/TV Globo
Matheus sexualiza à mineira. Se excita também sadicamente fazendo minguar o desejo afetivo de sua Cacau, esquentando sua ânsia pela final do "BBB", resistindo ao coito e ao embate. O sujeito é uma broxada personificada que tenta sublimar suas intenções num jogo óbvio e broxado de sabor, como uma canja mineira sem sal.
 
À Cacau resta ter seu orgasmo escorrido pelas lágrimas do prazer da vitimização. Freud explica. Sade apoia.
 
Lágrimas pela falta de tudo não faltam a Adélia, que diz sonhar todos os dias com o sexo ausente. E que agora também chora pelo prêmio visivelmente ausente. O consolo da sublimação sexual que seria o prêmio final vai murchando aos olhos da moça que, num paradoxo neurótico, diz querer eliminar sua oponente Ana Paula na base da porrada. Mas se diz vítima da agressividade da moça. Esquizofrenia: a separação do eu em dois pólos. Falta de sexo e falta de senso da mocinha.
 
Se Ana Paula não constrói pontes que sublimam sua falta de sexo e afeto, ela ergue a potência sobressexual que implode a frouxidão de todos os demais. Recuperou o tesão adormecido pelo "BBB". Ana é o Viagra desta edição.
 
Ana Paula, por sua vez, é o sintoma vivo e pulsante que devora a pulsão sexual – neurotizada ou não – sua e de seus contendores. Há um que de dor no prazer sexual. Tanto mais no ato de somatizar as dores de sua falta. A moça reinaugura a perversão causada pela angústia do vazio. Matou simbolicamente seu algoz – Daniel - que também foi vítima de uma paixão sua mal resolvida. O desejo frustrado pelo assassinato. Uma virtude amorosa derrotada e redimida pelo vício virtuoso da vingança. 
 
Se Ana Paula não constrói pontes que sublimam sua falta de sexo e afeto, ela ergue a potência sobressexual que implode a frouxidão de todos os demais. Recuperou o tesão adormecido pelo "BBB". Ana é o Viagra desta edição. Supera Freud. A moça se inscreve na tradição lacaniana: dá uma pitomba pro subconsciente e descortina a linguagem que só quer potencializar seu desejo. Se o seu desejo não se satisfaz, ela come o desejo.
 
Alguns assexuados em aparência que comungam suas perversões sublimatórias quase civilizadas por razões contrastantes:
 
Geralda: diz ter abdicado da vida sexual. Jogadora de buraco profissional. Quer preencher o vazio sublime de sua falta com o mais sublime dos prazeres baixos e lascivos: dinheiro.
 
Reprodução/TV Globo
Tamiel e sua fotossíntese Imagem: Reprodução/TV Globo
Tamiel: parece pansexual, com seu amor fecundo por plantas e árvores, a ponto de quase se tornar algo parecido com o verde que adora. Espera o gozo sublime de sua fotossíntese.
 
Ronan: leitor assíduo de "O Pequeno Príncipe" não merece vida sexual.
 
Nada de sexo. Nem sublimação para o telespectador. Muita neurose, perversão e o Bial, com seu gesto promissor de Moisés pop - com pinta de David Bowie ressuscitado - abrindo os mares do imaginário das donzelas carentes (e perversas) de dentro e fora do "BBB".
 
*Adrilles Jorge é jornalista, escritor e ex-participante do "BBB15"

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