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Adrilles: A quadrilha da interpretação amorosa do "BBB16"

Reprodução/ TV Globo
Na quadrilha BBBistíca, os fulanos dizem amar as fulanas e cicranos, mas ninguém se entende direito neste excesso de tentativa de amor Imagem: Reprodução/ TV Globo

Adrilles Jorge

Colaboração para o UOL

14/03/2016 18h00

Lembram daquele poema de Drummond, "Quadrilha", em que o poeta descreve uma ciranda de incomunicabilidades amorosas que resulta numa tragédia silenciosa e cotidiana? "Fulano que amava fulana que amava cicrano que não amava ninguém".

Se na vida real, o amor é quase sempre uma fuga do nosso desejo, no "BBB" é o contrário: uma ofensiva amorosa de todos sobre todos, com quase os mesmos resultados trágicos finais da quadrilha de Drummond. Na quadrilha BBBistíca, os fulanos dizem amar as fulanas e cicranos, mas ninguém se entende direito neste excesso de tentativa de amor.
 
Renan foi pro andar de cima e pôde vislumbrar essa quadrilha de supostos excessos amorosos. E percebeu que os laços afetivos que unem Geralda e Matheus são os do amor exclusivo pelo jogo. O anjo de proteção permanente dado a Geralda por Matheus é a proteção angelical que Geralda se negaria a oferecer a seu neto de coração na primeira oportunidade em que a a senhora pudesse colocá-lo na berlinda. Como ela deixou claro a Munik, ao dizer que votaria em Matheus sem pestanejar.
 
Matheus ama a todos, é aliado de todos. Principalmente os que ele ajuda a eliminar por seu excesso de amor.
 
Geralda diz amar seu netinho, a quem mataria por amor ao dinheiro. E Matheus diz amar tanto e chorar tanto por Geralda e todo mundo que lembra aquela velha citação: "Quem diz amar a humanidade em geral tem horror ao próximo". Matheus ama a todos, é aliado de todos. Principalmente os que ele ajuda a eliminar por seu excesso de amor.
 
Renan pouco viu de Ronan, porque o rapaz pouquíssimo se mostra ultimamente. E mais se esconde, se mostrando ambiguamente. De candidato a vilão maquiavélico e manipulador da primeira semana, o rapaz se transformou em esfinge sem contornos precisos de bem e mal. Antes da ascensão aos céus de Renan, uma cena merece crédito. Ronan emotivo, alcoolizado, recusando o colo suspeito de Geralda, se recusando a chorar, já chorando, dizendo que "a rua está em todo lugar", referindo-se a seu passado de criança abandonada.
 
O paradoxo: Ronan se vê preso nos muros do confinamento e nos muros de seu afeto talvez impedido pelo trauma das ruas. Cabe a ele se libertar. Dentro ou fora do "BBB". Porque há realidades internas muito complexas que as câmeras de um reality show jamais captam. Ronan é uma realidade inteiramente não captável pelas lentes do "BBB".
 
E se Ronan não se deixa captar, Munik volta a ser captada traindo sua aliança afetiva espontânea com o rapaz, impacientando-se com ele por qualquer razão. Talvez impacientando-se com ela mesma, por seu afeto fabricado pelas circunstâncias do jogo. Assim como Cacau impacientou-se (bem tarde, né?) com o afeto (mal, bem mal) fabricado de Matheus. Resta à moça se impacientar com sua imaturidade afetiva. Talvez percebendo que a única maturidade possível é perceber um eterno infantilismo humano nas relações.
 
Por fim, pena Renan não ter vislumbrado a origem de seu desejo que sempre ama se afirmar verbalmente por Munik, mas nunca se executa por apelo moral e respeito a um ente abstrato aqui de fora.
 
Um amor fingido às vezes pode suscitar um afeto real pela prática ostensiva de sua interpretação
 
Políticos amam dizer que amam o povo à luz das câmeras. Amam dizer que odeiam o antiamor dos atos ilícitos. Renan, do alto do céu de seu vislumbre, já pode se candidatar a ser um destes políticos supostamente amorosos.
 
Nesta quadrilha amorosa, resta um alento. Um amor fingido às vezes pode suscitar um afeto real pela prática ostensiva de sua interpretação. Porque, de tanto interpretarmos algum amor, às vezes percebemos que a realidade amorosa é bem mais encantadora que sua interpretação.
 
*Adrilles Jorge é jornalista, escritor e ex-participante do "BBB15"

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