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Especial BBB17

Ana Paula Renault

Com relação abusiva e violência, "BBB17" passou longe do divertimento

Reprodução/TVGlobo
Imagem: Reprodução/TVGlobo
Ana Paula Renault

Ana Paula Renault

Mineira, nascida e criada em Belo Horizonte desde 1981. Filha de Deus e do meu pai, jornalista e ex-BBB formada. Pós-graduada duas vezes pela Fundação Dom Cabral e também pela vida. Participações em programas de televisão e até ponta em novela, figura constante em sites de fofocas e na boca do povo. Bon vivant, agora colunista do UOL e recebendo por isso.

Especial para o UOL

12/04/2017 10h44

Um programa de entretenimento que virou caso de polícia. Entretenimento: ato ou efeito de entreter(-se), de distrair(-se); distração, divertimento. O "BBB17" foi o oposto do que podemos chamar de divertimento. Um programa arrastado e desinteressante no seu início, viu a trama se movimentar com a união amorosa de Emilly e Marcos. União esta que se concretizou após o apelo do público durante uma festa, onde tweets a favor do casal não foram poupados.

Néra o "Big Brother Brasil" um programa de confinamento, néra? Onde informações externas e qualquer tipo de contato com o ‘mundo’ exterior era vetado? Pois muito bem, nessa 17ª edição não mudaram apenas o apresentador, como também várias regras básicas. Vimos e escutamos quase tudo nesse ‘BBB’: participantes falando de conversas com a produção, inúmeras idas e vindas ao confessionário sem explicações, até o nome do todo-poderoso Boninho foi jogado na fogueira esse ano! Passamos desde a narração de sexo explícito à acusação de não pagamento de pensão alimentícia. A agressão contra a mulher, culminando na real intervenção da polícia no programa, encontrou o seu ápice nessa segunda-feira, 10 de abril, no qual Marcos foi expulso graças a mais uma interferência externa.

O relacionamento do ‘Doutor Monstro’ com a ‘ninfeta má’ segurou toda a edição do programa. Não se falava de outra coisa senão deles e assim continuamos até agora. O grande problema foi o rumo que esse relacionamento tomou. Incontáveis DRs (discussões de relacionamento), agressões físicas vistas como “briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, agressões psicológicas, abuso contra a mulher. Será que se a população não tivesse se mobilizado, alertado as autoridades e pedido uma averiguação policial, Marcos teria sido expulso? Não foi a primeira vez que presenciamos esse comportamento abusivo. Por que a expulsão só agora? Vejo uma omissão da tão comentada produção nesse caso. Esperaram demais e a polícia teve que intervir no andamento do programa.

Saudade de quando as tretas no "BBB" eram por pão de forma, leite condensado e sabão em pó. Hoje estamos lidando com abuso e violência, tempos difíceis sem leveza. Esses 17 participantes que foram colocados dentro da casa são uma amostra da nossa sociedade. Infelizmente, milhares de pessoas sofrem abuso todos os dias, todas as horas. Expor esse assunto serve de alerta para todos nós, homens e mulheres. Muitas vezes vivemos um relacionamento abusivo e não enxergamos, já que a nossa visão da realidade pode estar alterada pelo envolvimento, sentimento.

O abuso pode existir até em uma amizade. Emilly disse a Roberta que ninguém gostava dela na casa, que ela estava sozinha, que só tinha a ela. Esse é um tipo de abuso psicológico. Vivian, Mayara e os gêmeos debocharam do cabelo de Gabi Flor: racismo. Que esse pesado "Big Brother" sirva pelo menos para reflexão.

Aos que gostam de me atacar porque fui expulsa do "BBB", meu recado:

Não estou aqui para justificar e sim para esclarecer que levar um copo de cerveja na cabeça também é agressão, ser impedida de ir e vir por uma ombrada também. Resta saber até que ponto achei relevante me utilizar disso para expulsar um colega de confinamento e não continuar competindo com hombridade.

Agressão: agredir (fisicamente ou moralmente) alguém. Ação que demonstra hostilidade; em que há provocação.

No vídeo dos famosos tapas, eu sequer mudo a minha feição. Será que uma pessoa disposta a agredir outra, não demonstraria em seu rosto uma modificação de semblante?

Jamais agredi uma pessoa fisicamente, eu queria escarniar o participante em questão. Invadi o limite dele, errei, mas a minha moral e o meu caráter andam comigo 24 horas por dia. Não sou santa, mas sou aquela que dorme todas as noites sob a regra do "aqui se faz, aqui se paga". Somos responsáveis pelos nossos atos e temos que lidar com as respectivas consequências dos mesmos. Essa é a Lei do Retorno, e que delegada alguma vai intervir.

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