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Especial BBB17

Chico Barney

Muro separa "BBB" do bom senso

Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Especial para o UOL

07/03/2017 09h33

O poeta Pedro Bial teve como grande marco de sua carreira a cobertura da queda do famigerado muro de Berlim, que havia separado a Alemanha em duas durante décadas. Já o aspira Tiago Leifert será lembrado por ter narrado a construção de um muro que não chegou a durar um dia inteiro no "BBB17".

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Saudades de quando o "BBB" reunia intelectuais de verdade? Imagem: Reprodução/Instagram

Não deixa de ser um evento alinhado com os tempos modernos. Um twist que dura o tempo de uma publicação no Snapchat pode interessar justamente aos millennials que a atual temporada parece querer atingir.

Donald Trump e seu muro separando os Estados Unidos do México foram a inspiração para o programa. Mas seus efeitos práticos foram mais parecidos com uma referência da política nacional: João Dória Jr e os muros cinzas de São Paulo.

(Importante esclarecer que digo isso metaforicamente, antes que algum comentarista usando avatar da She-Ra venha explicar que a peça cenográfica foi belamente ilustrada em suas duas faces.)

Algumas inconsistências do projeto fizeram com que a pegadinha da produção para cima dos participantes perdesse rapidamente a graça. A saber:

- O fato da eliminação falsa ter ocorrido em uma segunda-feira, dia largamente identificado com os jogos da discórdia e outros truques para movimentar a casa com artimanhas e picuinhas;

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Spoiler - a cotação de Emilly depois do paredão de logo mais Imagem: Reprodução

- Tudo isso ocorrer durante o período em que o público está votando em um paredão formado ontem - até mesmo futuros ex-BBBs ostentam plenas condições intelectuais de duvidar seriamente de uma virada de mesa dessas;

- A construção precária do muro permitiu que Rômulo avistasse Emilly do outro lado. Se até a Globo tá economizando em infraestrutura, creio que a próxima edição da "Fazenda" ocorrerá em um chiqueiro;

- A escalação do Rômulo para o programa. Quem é que chamou esse cara? Ele funciona como um cemitério para o entretenimento.

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Remember Luiz Felipe Imagem: Reprodução

Claro que estou aqui dando um enfoque principal nas coisas negativas, que é o que costuma render mais acessos na minha coluna. Mesmo constrangido, não deixarei de louvar o que deu certo:

- A casa virou do avesso num grau que Daniel chegou a ter algum destaque durante a noite. Apesar de quase ter sofrido um faniquito em rede nacional, Daniel conseguiu votar na Emilly e se comprometer com o jogo de alguma forma - apenas para 15 minutos depois descobrir que ela não foi eliminada e agora teria que conviver alguns dias só com a turma que havia acabado de “trair”;

- A rixa entre Roberta e Emilly finalmente saindo da deep web para ganhar o mundo exterior;

- A observação do Marcos sobre Ilmar: durante o reinado do brother socialista, nada mais adequado que o quarto do líder virar um alojamento.

O twist pode ter sido meio torto, mas serviu para divertir a casa de uma forma que não acontecia há muito tempo. Não chegou a ficar animado nível “Daniel do 'BBB11' dançando com o coqueiro”, mas tivemos mais alegria do que Rômulo jogando golpinho noite adentro - apesar de ter rolado isso também.

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A visão de jogo de alguns participantes segue tão deformada quanto os desenhos da Turma da Mônica que assolam os muros de escolinhas pelo Brasil. Imagem: Reprodução

Quanto a mim, posso garantir que retorno a qualquer momento com novas informações. Continuamos atentos a todas as movimentações na casa, mais ou menos como naquela piada recorrente do "Casseta & Planeta" onde o então presidente Itamar Franco acabava deixando uma tartaruga de estimação fugir.

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