Especial BBB17

Mauricio Stycer

Com show de choro, saída dos gêmeos lembra apelação de programas da Record

Reprodução/TV Globo
Antônio e Manoel se abraçam no "BBB17" Imagem: Reprodução/TV Globo
Maurício Stycer

Maurício Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Colunista do UOL

30/01/2017 04h01Atualizada em 30/01/2017 11h24

Depois de seis dias, é preciso dizer que deu muito certo a ideia de colocar duas duplas de gêmeos na casa para deixar o espectador escolher um de cada. Antônio e Manoel, em tudo diferentes, e Emilly e Mayla, muito complementares, cumpriram a função primordial em um “BBB”, que é a de divertir e infernizar o público.

Mas separar irmãos, mesmo em um reality show, mostrou ter uma função a mais: emocionar quem assistia ao programa. Tiago Leifert deu o tom da proposta desde o início da edição de domingo, informando que estavam todos muito abalados com a situação.
 
“Separar irmãos não é fácil. Minha primeira eliminação ser dessa forma... Não vai ser fácil. Tô tenso como vocês”, disse. “Eu não gostaria de fazer o que vou fazer agora. Mas sou apenas um porta-voz do Grande Irmão”, acrescentou. 
 
Ensaiando um discurso de eliminação, mas sem a cerimônia que Pedro Bial dava ao evento, Leifert procurou amenizar a tristeza dos gêmeos com palavras de livro de autoajuda. “No futuro de vocês dois eu vejo um grande homem, um grande pai, um grande marido, porque é isso que tenho certeza que vocês vão ser”.
 
Falando para as gêmeas, elogiou a sinceridade delas. “A gente sabia que uma estava falando a verdade para a outra”. E recomendou que sejam fortes (elas perderam a mãe recentemente).
 
O chororô já estava forte na sala do “BBB17” quando o apresentador anunciou que Manoel (76%) e Emilly (55%) foram escolhidos para ficar. Começou, então, a mais longa despedida já vista no reality da Globo.
 
Com trilha sonora para fazer o público chorar, os gêmeos abraçaram, beijaram e se despediram de todos os demais participantes. O tom melodramático lembrou os dos reencontros de familiares que não se veem há 30 anos, que Geraldo Luis e Rodrigo Faro adoram exibir em seus programas na Record.
 
Foram cinco minutos sem interrupção, apenas com musiquinha típica, até que Leifert reapareceu. "Voltei. Foi uma das despedidas mais longas que a gente já teve, em respeito a vocês. A gente estourou tudo que podia aqui de protocolo".
 
Mas, num sinal de que estava gostando daquilo, o apresentador não encerrou o chororô, apenas pediu auxílio a um dos participantes. “Daniel, me ajuda aí. Organiza pra mim. Eu preciso...” Óbvio que Daniel não organizou nada. E mais três minutos se passaram, então, até Antônio e Mayla deixarem a casa.
 
Foi, enfim, uma exploração exagerada de uma emoção genuína, que seguramente ajudou a elevar a audiência do programa torturando o espectador. 

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