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Especial BBB17

Mauricio Stycer

Votação recorde: Globo critica espectadores "fanáticos" e "hipnotizados"

Reprodução/TV Globo
Leifert: "Não é uma luta do bem contra o mal. Pode até ser pra algumas pessoas, mas elas são fanáticas e elas estão hipnotizadas? Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer Maurício Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Maurício Stycer

Colunista do UOL

05/04/2017 04h01

Foram 112.889.105 votos, recorde da temporada e terceira maior votação da história do “BBB”, atrás apenas da votação que deu o prêmio a Marcelo Dourado em 2010 (154.878.460 milhões) e ao paredão entre Dourado e Dicesar na mesma edição (125,4 milhões). 

Apesar do número grandiloquente, que resultou na eliminação de Ilmar (55,92%) e na permanência de Marcos (44,08%), a Globo não demonstrou felicidade na noite de terça-feira (04). Por meio do apresentador Tiago Leifert, que mais uma vez disse falar em nome da direção, foi feita uma crítica severa aos torcedores mais fanáticos do “BBB” - justamente aqueles que organizam mutirões para votar e garantir números enormes de votação.
 
“Esse paredão não é sobre polarização. Não é uma luta do bem contra o mal. Ouviram bem o que eu disse? Quem vencer esse paredão não é o paladino da justiça, quem perder não é o demônio. Pode até ser pra algumas pessoas, mas elas são fanáticas e elas estão hipnotizadas”.
 
Um pouco antes, Leifert havia explicado por que a “polarização”, ou seja, a guerra entre torcidas, “é um problema muito grave”. 
 
“Polarização é um problema muito grave. Porque nunca tá certa. Ela é cega. Um lado só enxerga as qualidades, o outro lado só enxerga os defeitos. Pra um lado a pessoa é Deus, pro outro lado ela é o demônio. E não há nada que faça esses caras mudarem de opinião”.
 
Em outras palavras, não adianta Mr. Edição proteger um candidato ou expor negativamente outro. Se as torcidas estão decididas a votar de uma maneira, nada as fará mudar. Ao prosseguir o discurso, Leifert reconheceu, de certa forma, o fracasso do próprio programa:
 
“E aí você vai pro mundo de hoje com rede social e a pessoa que tem uma opinião formada se cerca de outras que tem a mesma opinião dela e o que acontece? Ela só reforça aquela crença e aí não há diálogo. Tudo que você mostra que pode questionar o que aquela pessoa acredita, ela imediatamente descarta, ela imediatamente interpreta do jeito dela, que é errado, porque ela tá totalmente hipnotizada, porque ela tá fanática. E aí a coisa não anda”.
 
Dito isto, fico até sem graça de reclamar da edição desta terça-feira. Houve um lacuna importante, na minha opinião. O apresentador não informou ao público que os participantes conversaram com uma psicóloga no período da manhã. 
 
Essa conversa, possivelmente, ajuda a explicar o comportamento de Marcos, exibido no programa – o seu “tour do perdão”. O candidato acabou monopolizando o episódio, pedindo desculpas a todos, enquanto Ilmar, mais deprimido, se manteve recolhido. Foi uma vantagem? Eu diria que sim, mas depois do discurso de Leifert talvez seja o caso de não falar mais nada.
 
Registro, por fim, mais uma conversa antológica, exibida nesta noite. Marinalva conversava com Marcos, quando Emilly a interrompeu.
 
Mari (para Marcos): E olha que eu gosto de você.
Emilly: Claro que gosta. Ela quer cirurgia no nariz.
Mari: Você precisa de cirurgia na sua alma. 
 
Pano rápido.

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