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Especial BBB17

Mauricio Stycer

Globo se explica por demora em expulsar Marcos e celebra relevância do BBB

Reprodução/TV Globo
Ieda e Vivian consolam Emilly após Tiago Leifert comunicar a expulsão de Marcos do "BBB17" Imagem: Reprodução/TV Globo
Mauricio Stycer Maurício Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Maurício Stycer

Colunista do UOL

11/04/2017 04h01

Vinte e quatro horas depois de exibir imagens chocantes do assédio de Marcos sobre Emilly, a Globo decidiu expulsar o médico do “BBB17”. A demora da emissora foi justificada pelo apresentador Tiago Leifert como um cuidado necessário para “tomar a decisão correta, a decisão justa”. 

Na prática, a decisão só foi tomada porque a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher se envolveu no caso nesta segunda-feira (10). A delegada Viviane da Costa solicitou as imagens à Globo e concluiu haver “indícios de agressão física” a Emilly. 
 
A ação policial tira da Globo a responsabilidade pela expulsão de Marcos – o que, tudo indica, parece ter sido um dos objetivos da emissora no caso.
 
Isso explica por que, no domingo (09), depois de chamar Emilly ao confessionário e ouvir o seu relato (ela não denunciou nenhuma agressão física), a emissora optou por não fazer nada – o que eu classifiquei, em texto publicado no UOL, como uma covardia.

É preciso reconhecer que, ao menos desta vez, a Globo foi muito mais transparente do que no “BBB12”, quando o modelo Daniel foi expulso por “comportamento inadequado” e os participantes nunca souberam a razão do seu sumiço da casa. 
 
Ao explicar o caso Marcos para os espectadores, e depois para os participantes, o apresentador Tiago Leifert não poupou detalhes. Deu até uma pequena aula sobre a legislação que defende as mulheres de violência, a Lei Maria da Penha:
 
“A nossa casa está inserida em um contexto maior, que é o contexto da lei. E a gente ficou aguardando um parecer técnico sobre o assunto. Quando há, por exemplo, abuso psicológico, a vítima precisa ir ao confessionário ou precisa ir a uma delegacia e reclamar. Nas imagens que a gente viu, não há necessidade de você (Emilly) nos procurar pra reclamar. A delegada, de apenas olhar as imagens, pode pedir pra investigar o que aconteceu”. 
 
Mais curioso ainda, Leifert procurou reforçar um aspecto pouco valorizado do “BBB” – a sua relevância. “O BBB, como vocês sabem, é um programa de entretenimento. A gente faz isso pra divertir vocês. Só que muitas vezes o programa reflete a vida como ela é”, disse ao público.   
 
E acrescentou, ao final da dramática edição: “Que vocês aproveitem, na família de vocês, e discutam esse assunto, esses casos. Porque, às vezes, o BBB, que é um programa pra divertir as pessoas, um programa de entretenimento, traz assuntos relevantes. E pra gente, como brasileiros, sociedade, esse é um deles. Então, que vocês aproveitem pra discutir bastante”.
 
Não esqueço que o diretor Boninho, responsável pelo reality show desde a primeira edição, sempre rejeitou qualquer avaliação mais séria do programa. Numa célebre entrevista à "Folha", em 2010, chegou a dizer: “Big Brother não é cultura, não é um programa que propõe debates. É um jogo cruel, em que o público decide quem sai.” Nem sempre. 

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