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Especial BBB17

Mauricio Stycer


Leifert confundiu participantes do "BBB" com personagens de videogame

Reprodução/TV
O apresentador Tiago Leifert contempla Emilly em um momento do "BBB17" Imagem: Reprodução/TV
Mauricio Stycer Maurício Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Maurício Stycer

Colunista do UOL

2017-04-12T04:01:00

12/04/2017 04h01

Uma das marcas da estreia de Tiago Leifert como apresentador do “BBB” foi a sua insistência em advertir o público de que estava ali como “emissário” da direção do programa. Em diferentes ocasiões, ele disse que iria transmitir “recados” do “Big Boss”.

Uma rara ocasião em que falou por conta própria foi na noite de segunda-feira (11), em seu contato com Emilly, Ieda e Vivian. Ele primeiro leu o texto da direção, explicando as razões que levaram a Globo a expulsar Marcos. Depois avisou: “Vou falar pessoalmente, agora, da minha parte.” E disse:
 
“Eu acho que o Marcos tinha perdido a capacidade de competir aí dentro, de se divertir com o programa... Esse é um programa para divertir as pessoas. Por mais que vocês tenham brigas, como ele teve com a Ieda, é um programa de entretenimento, é um programa para divertir. Quando a pessoa perde o espírito esportivo... E ele já não estava mais conseguindo viver o jogo como a Vivian, por exemplo vive, aproveitando as festas. E você também, Emilly e você Ieda. A gente achou por bem que estava na hora de fazer alguma coisa.”
 
A fala mostra a visão equivocada de Leifert sobre o papel dos participantes do “BBB”. Ele está certo ao dizer que o programa se destina ao entretenimento. Mas confunde tudo ao cobrar que os candidatos confinados se divirtam. Eles estão lá não para se divertir, mas para ganhar R$ 1,5 milhão, além de fama. 
 
Cobrar “espírito esportivo” de quem está traçando estratégias para ficar milionário confirma a ideia de que Leifert estava encarando o “BBB” como um videogame, que ele poderia controlar ao seu gosto. 
 
Fã de jogos eletrônicos, o apresentador chegou a definir o reality show da Globo como “o maior game do mundo, um RPG, com pessoas de verdade, em tempo real”. A questão é que um “game” com pessoas de verdade é imprevisível, muito diferente de um jogo eletrônico, que depois de muita prática pode se tornar mecânico.
 
Nesta terça-feira (11), ao entrar na casa e quebrar a última barreira de isolamento que ainda havia no “BBB”, Leifert pode ter entendido melhor esta questão. Ele viu Emilly, Ieda e Vivian frente a frente e, como confessou, experimentou enorme nervosismo com a situação – algo que ele não sente diante da tela de um videogame.
 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL