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Especial BBB19

Chico Barney


Big Brother Chernobyl: clima tóxico das torcidas dita os rumos na Globo

Tiago Leifert - Reprodução/TvGlobo
Tiago Leifert Imagem: Reprodução/TvGlobo
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Especial para o UOL

27/03/2019 16h50

Chocante a votação dos últimos paredões! Só ontem, foram 202 milhões de votos para definir quem continuaria no "BBB". Fico muito curioso para saber quantas pessoas foram responsáveis por essa tour de force em uma edição que não está despertando maior interesse do público em geral.

A teoria vigente, pelo menos aqui em casa, é que são cada vez menos votantes ativos, mas um grupo terrivelmente radical. São passionais no tocante à representatividade no jogo, movendo mundos e fundos para manter seus queridinhos e eliminar os desafetos.

É uma atividade que demanda não só uma disposição hercúlea, mas também toneladas de tempo livre. Nesse vácuo existencial, as ideias ficam cada vez mais extremas e o jogo do "Big Brother" vai se tornando uma atividade tóxica para quem queria apenas desanuviar as ideias depois de um dia de trabalho.

O jogo é muito mais leve e animado lá em Curicica do que nas trocas que ocorrem em redes sociais. Temas pesados e acusações graves dão o tom do debate. A atração paralela é uma espécie de Big Brother Chernobyl, com altos níveis de radiação.

PELO FIM DOS MUTIRÕES

É bizarro ver a Globo deixando os rumos de sua programação nas mãos de um nicho tão específico da audiência, os torcedores radicais de reality shows. Por mais que a bravata de "recorde mundial de votos" seja interessante, no final das contas, será que mais ajuda ou atrapalha?

A mais importante reforma política para 2020 é a instituição do voto único por CPF. Só assim a preferência real da audiência terá a garantia de reflexo na tela da Globo. E nem defendo isso pensando que os resultados seriam diferentes, mas pelo menos teríamos um clima menos tenso entre as torcidas.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL