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Especial BBB19

Mauricio Stycer


Para estimular barracos, Leifert compara brothers a ratinhos de laboratório

Hana conversa com Tiago Leifert após sair do "BBB19" - Reprodução/TvGlobo
Hana conversa com Tiago Leifert após sair do "BBB19" Imagem: Reprodução/TvGlobo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Colunista do UOL

06/02/2019 16h01

No breve discurso que antecedeu a eliminação de Hana, nesta terça-feira (05), Tiago Leifert procurou mais uma vez passar aos "brothers" a mensagem de que eles precisam se envolver com o jogo, se comprometer e, eventualmente, até brigar. Para fazer isso, ele comparou os participantes a ratinhos de laboratório.

O apresentador tem manifestado esta preocupação em todas as edições que comandou. Em essência, ele tenta convencer os candidatos que é preciso ter atitude. O seu alvo, claro são aqueles que exibem um perfil mais passivo, chamado de "planta".

Este tipo de participante, a "planta", é péssimo para a edição do programa. Mas a história do "BBB" mostra que nem sempre quem se comporta assim é punido pelo público. Leifert tenta convencê-los do contrário, sugerindo que este tipo de "brother" vai se dar mal.

Antes da eliminação de Gustavo, há uma semana, Leifert alertou: "Acho que alguns ainda não se sentem ameaçados. Estão mandando muito beijinho pra câmera, muita pose, beijo pra quem tá aqui fora (e pensando) 'será que eu virei meme?'. Mas eu garanto que já tem gente que acordou pro game, está esperta. E essa pessoa um dia vai eliminar você, que tá dando beijinho pra câmera. Mesmo".

Uma semana depois, o apresentador propôs uma conversa um pouco mais elaborada. Leifert recorreu a um conceito de psicologia, o "desamparo aprendido", para tentar passar a mensagem de sempre aos participantes. 

O conceito foi desenvolvido, explicou, a partir de experiências com ratinhos de laboratório. Ao invés de ser condicionado por meio de choques que obedecem a uma lógica, o animal leva descargas elétricas de forma aleatória, sem padrão. Dessa maneira ele não aprende como evitá-los. Com o tempo, conformado (ou deprimido), o ratinho deixa de tentar evitar os choques. 

"Não é verdade, tá?", procurou ensinar Leifert. "Sempre tem um jeito. É preciso fazer alguma coisa para que não aconteça de novo. Não é normal ir para o paredão e voltar várias vezes. É raro, é difícil. Não se arrisquem. Controlem o jogo. Calculem o risco que é não fazer nada."

O "papo cabeça" do apresentador foi dirigido a quem? Há plantas espalhadas por todos os cômodos da casa do "BBB19". Mas fiquei com a impressão que a recomendação de Leifert se dirigiu mais a um dos grupos. Como todo mundo viu, e ele próprio já disse, a edição foi calculadamente dividida em dois grupos, "um mais cabeça e outro que prefere curtir" a casa.