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Especial BBB19

Mauricio Stycer


"BBB19" tem recorde de casos de polícia, mas desfechos são diferentes

Reprodução/Globoplay
Vanderson Brito, eliminado do "BBB19" em janeiro, e Paula von Sperling Imagem: Reprodução/Globoplay
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Colunista do UOL

2019-04-05T11:25:10

05/04/2019 11h25

Vai ser difícil esquecer do "BBB19". Não bastasse ser considerada a pior edição de todos os tempos, ela também será lembrada como a que provocou mais problemas com a polícia (veja aqui os casos ocorridos em outras edições).

Logo em janeiro, oito dias depois de iniciado o programa, o participante Vanderson foi desclassificado após ter sido intimado a depor na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio, acusado de importunação sexual, estupro e violência doméstica.

Já em fevereiro, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) abriu inquérito para apurar declarações de participantes do "BBB19" sob suspeita de racismo e intolerância religiosa.

Tiago Leifet informou o público a respeito da investigação, mas avisou: "Dependendo do parecer das autoridades, o programa tomará providências, como sempre fez", avisou.

Neste caso, porém, o delegado responsável pelo caso não viu necessidade de ouvir os suspeitos imediatamente. Com esta decisão, não houve interferência externa no reality e Paula, a quem foram atribuídas declarações consideradas de cunho racista, não precisou deixar o programa.

Um terceiro caso policial, de apologia a maus tratos com animais, foi aventado após algumas declarações de Maycon dentro do "BBB19", mas não se confirmou.

Nesta sexta-feira (05), Rodrigo vai à polícia depor sobre o caso na condição de suposta vítima. Segundo informa o UOL, o delegado Gilbert Stivanello disse que Paula será ouvida assim que for eliminada ou após a final do "BBB", que termina dia 12 de abril. O inquérito, disse o delegado, apura "injúria por preconceito alusivo à religião".

Como mostrei aqui, a Globo tem adotado uma atitude dúbia e, eventualmente, hesitante, em relações a temas polêmicos abordados pelos participantes. Em algumas ocasiões, de fato, esperou que a Polícia, o Ministério Público ou órgãos do governo batessem à porta da emissora para só então tomarem alguma atitude. Foi o que ocorreu, por exemplo, com Vanderson, este ano, e com o médico Marcos Harter em 2017.

Em outras situações, ela própria tomou a iniciativa de intervir ou esclarecer o público sobre questões graves tratadas pelos participantes. Logo no início do "BBB18", por exemplo, Tiago Leifert pediu aos quatro integrantes da família Lima que explicassem ao público por que eram tão carinhosos entre si.

UOL Vê TV: Tudo que deu muito errado e o pouco que deu certo no "BBB19"

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL