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Blog do Mauricio Stycer

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Globo ignora a cidade de Toyota e diz que Santos jogou em Nagoya, que fica a 30 km

Mauricio Stycer

15/12/2011 14h35


Toyota, cidade de 420 mil habitantes, fica na província de Aichi. Chamada originalmente de Koromo, ganhou autonomia em 1951. Em 1959, assumiu o nome que tem até hoje.

O moderno estádio de futebol da cidade também se chama Toyota. Com capacidade para 45 mil espectadores, foi inaugurado em 2001, mas terminou descartado como sede de jogos da Copa de 2002.

As primeiras cinco partidas do Mundial de Clubes de 2011 foram disputadas no Toyota, incluindo a vitória do Santos sobre o Kashiwa Reysol por 3 a 1, na quarta-feira. Na visão da Rede Globo, porém, o Santos disputou a semifinal do Mundial em Nagoya. Trata-se da capital da província de Aichi, distante aproximadamente 30 quilômetros de Toyota.

"A torcida do Santos faz festa em Nagoya", disse Cleber Machado mais de uma vez durante a transmissão da partida, na quarta-feira. Depois de mostrar um papai noel na arquibancada vestido de verde-amarelo, o narrador foi preciso. "Em ritmo de Natal, mas um Natal brasileiro, no estádio em Nagoya no Japão."

Na véspera da partida, no "Jornal da Globo", o repórter Marcelo Courrege disse que a partida seria realizada "nos arredores da cidade de Nagoya". No "Bom Dia Brasil", minutos antes do jogo, o apresentador Luis Ernesto Lacombe disse: "Vamos a Nagoya, ouvir os repórteres". Antes, durante e depois da partida, sempre que Courrege ou Abel Neto apareciam, na tela era exibido o crédito "Nagoya, Japão".

A fabricante de automóveis Toyota, que dá nome à cidade e ao estádio, é patrocinadora do Mundial de Clubes, o que pode sugerir a existência de algum problema comercial envolvido no caso.

Questionada pelo blog sobre a razão de não citar o nome da cidade onde ocorreu a partida do Santos, a Central Globo de Comunicação respondeu: "Temos usado a expressão 'na região de Nagoya' para localizar melhor o espectador, já que a cidade de Nagoya é a segunda maior cidade do Japão e a maior da província de Aichi, onde também está situada a cidade de Toyota. Além disso, temos explicado aos espectadores  que o estádio em questão é o estádio oficial do Nagoya Grampus, time japonês de futebol."

Qualquer que seja a razão da troca, o problema não existe mais. As últimas três partidas do Mundial tem o estádio de Yokohama como sede. Foi lá a vitória do Barcelona sobre o Al Sadd por 4 a 0, nesta quinta, e será também neste local a disputa do terceiro lugar, bem como a final, ambos no domingo.

Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.