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Especialista da PF vê “coerência” em cena do desmascaramento de Felix

Mauricio Stycer

19/11/2013 11h34

amoravidafelixpaloma

Entre as centenas de mensagens que recebi por conta do texto Desmascarado, Felix esqueceu que tinha argumento para desmontar a denúncia, uma em especial me chamou a atenção. É assinada por um papiloscopista da Polícia Federal, com dez anos de experiência no assunto. Falei com ele e fui autorizado a publicar seus comentários, mas sem identificá-lo.

Escreve ele: "Impressões em tecidos são fatos raros e improváveis, mas o autor foi muito feliz quando colocou a impressão moldada em sangue, o que torna o fato bem mais verossímil e provável. Outra coisa em que ele foi feliz é que, se algum tipo de impressão tem chances mínimas de sobreviver intacta depois de tantos anos (12 creio) seria uma desse tipo (moldada em sangue)."

O funcionário da PF lembra, porém, que a chance de ocorrer uma situação descrita como na novela é muito "remota". "O que acontece é que para que a aposição de um fragmento de impressão digital possa acontecer nestas circunstâncias, o sangue deve estar recente. E mesmo assim, dependendo do tipo de pano, a chance de existir um fragmento em condições de comparação é muito remota. Vão aqui algumas variáveis como: tipo de pano, grossura do fio, aspereza, grau de absorção de líquidos e etc…

Sobre o fato de Felix voltar a tocar no pano, ele acrescenta um detalhe importante. Ao fazer isso, o vilão não conseguiria registrar uma nova digital, mas poderia, sim, ter apagado ou borrado a impressão anterior: "O que você precisa saber a respeito do fato de o suspeito ter colocado a mão no pano cerca de 12 anos depois é que tal fato não faria com que uma nova impressão ficasse moldada no pano, pois o sangue seco não permitiria a moldagem. O que poderia acontecer, isso sim, seria a retirada da impressão anterior, por simples fricção no material."

Por fim, ele elogia Walcyr Carrasco: "Mas por ser obra de ficção… em minha opinião, já vi coisas muito mais sem coerência na área do 'CSI' do que essa. Resumindo: Chances remotas, mas sequência de eventos bem coerente com a realidade."

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.