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Blog do Mauricio Stycer

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Até o autor está confuso com o caso do sequestro de Kiki em A Regra do Jogo

Mauricio Stycer

07/03/2016 06h02

regradojogokikigibson3Um dos grandes mistérios ainda não totalmente esclarecidos de "A Regra do Jogo" diz respeito à trajetória de Kiki (Déborah Evelyn). Por que ela foi mantida em cativeiro por mais de dez anos pelo próprio pai, que é também o Pai da facção criminosa, Gibson Stewart (José de Abreu)?

A personagem começou a responder sobre o assunto no capítulo de quinta-feira (03). Levada pelo filho Dante (Marco Pigossi) a depor diante do delegado Fonseca (Thales Coutinho), ela começou o seu depoimento com as seguintes palavras: "Há 20 anos eu descobri as atividades ilegais do meu pai".

regradojogokikifonseca2Logo, porém, revelou-se que Fonseca também fazia parte da facção. E o depoimento de Kiki não serviu para nada a não ser colocá-la em mais um cativeiro. Libertada dois dias depois, no capítulo de sábado (05), Kiki foi novamente levada por Dante para prestar depoimento, agora diante de um delegado da Policia Federal.

E suas primeiras palavras foram: "Quando eu era casada com Romero Rômulo eu comecei a perceber umas coisas esquisitas, comecei a ouvir umas conversas estranhas entre ele e meu pai. Toda hora eles se trancavam no escritório."

Foi então que espectadores saltaram da poltrona. Como assim? Romero (Alexandre Nero) só descobriu recentemente que Gibson é o pai da facção. Foi no capítulo de 16 de dezembro, quando ele era mantido em cativeiro na casa de Kiki e enxergou a presença do ex-sogro. No dia seguinte (17/12), Romero pressionou a ex-mulher e eles tiveram o seguinte diálogo sobre os dez anos de cativeiro de Kiki:

regradojogokikiromeroRomero: Por que ele (Gibson) faria isso? Você descobriu que ele era um canalha, que ele é um crápula, um bandido. Você ia entregar ele pra polícia. E ele, pra não te matar, te prendeu aqui, pra te convencer do contrário? É isso? Eu fiquei anos me sentindo culpado, achando que eu tinha sequestrado a minha mulher, que ela tinha morrido.. E eu fui um joguete, fui usado pela facção.
Kiki: Idiota mesmo! Você continuou sendo esses anos todos. Você foi o último a descobrir que o seu sogro era o chefe do seu bando.

Em resumo, ou Kiki mentiu para o delegado da PF ou João Emanuel Carneiro se esqueceu do que ele próprio já escreveu em "A Regra do Jogo". Temos uma semana ainda para descobrir isso.

O paralelo explícito entre Gibson e Hitler

aqueda1regradojogohitler3No capítulo deste sábado (05), "A Regra do Jogo" fez uma referência intencional a um filme muito conhecido, "A Queda – As últimas horas de Hitler", de 2004, de Oliver Hirschbiegel, com Bruno Ganz no papel principal.

O filme mostra os últimos dias de Hitler em um bunker, em Berlim, em abril de 1945. Em uma das cenas mais famosas (reproduzida em centenas de memes), o ditador alemão recebe más notícias de seus generais e tem um ataque histérico com eles. Foi justamente esta a cena usada como referência por "A Regra do Jogo", a pedido de João Emanuel Carneiro, como revelou o site Noticias da TV.

aqueda2regradojogohitler2Na novela, Gibson é informado que o delegado Fonseca foi preso e fica furioso. "Eu queria fazer alguma coisa pelo meu país. Eu queria mudar o Brasil. Mas não se pode mudar o Brasil se a gente tiver que contar só com o brasileiro."

No momento mais forte, o líder da facção ordena que Mara (Lorena da Silva) suborne o delegado da Polícia Federal que está investigando a organização. Ela diz que ele não aceitará suborno. Gibson então grita:

"Como não? Isso aqui é Brasil. Todo brasileiro tem um preço. Entendeu? Eu já comprei deputado, senador, juiz, desembargador! Já comprei ministro, cardeal. Eu já comprei lei no Senado! Como é que não vou comprar um delegadozinho da Policia Federal? País de bosta! Povinho ordinário! Vocês vão morrer pobres! Vocês não merecem nada!"

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.