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Adnet promete “desconstruir positivamente” convidados de seu novo programa

Mauricio Stycer

22/07/2016 11h01

marceloadnightDepois de muito mistério e alguma especulação, a Globo começou a revelar esta semana detalhes do talk show que Marcelo Adnet apresentará a partir de 25 de agosto. A primeira surpresa é que "Adnight" não terá praticamente nada de um programa de entrevistas tradicional.

A começar pelo fato de que não tem sofá, como contou Adnet ao UOL. "Não tem o momento 'vamos sentar e conversar'. Essa não é a minha principal característica, não sou um entrevistador. Vamos ter perguntas, as informações das entrevistas, mas isso vai acontecer, na imensa maioria das vezes, em situações feitas sob encomenda para os entrevistados, mas não num sofá".

Se não é um "talk show" é o quê? Na falta de um selo melhor, o novo programa está sendo chamado de "late show", uma denominação usada, nos Estados Unidos, para caracterizar os programas de entrevistas que vão ao ar no fim da noite – o que não é o caso do "Adnight", que será exibido às quintas-feiras antes do "Jornal da Globo" e do "Programa do Jô".

"Adnight" terá uma primeira temporada com 14 episódios de cerca de 45 minutos. A cada quinta-feira, o apresentador receberá um convidado, que será submetido a diferentes situações e brincadeiras. Até agora, estão confirmadas as participações de Galvão Bueno e Mateus Solano.

O narrador da Globo será cobaia da primeira gravação, neste sábado (23), mas não deverá ser o entrevistado do programa de estreia. Solano foi o convidado do programa piloto, gravado em 2015, que levou a direção da emissora a aprovar o projeto. Ele será novamente entrevistado, agora para valer.

Tentando definir o que é o "Adnight", o apresentador diz: "É um programa que desconstrói positivamente o convidado, busca uma humanização para além da figura pública". Não espere confrontos entre Adnet e as figuras ilustres que espera receber no estúdio: "Se a gente erra no tom com o convidado, a gente cria um ambiente hostil. Não é interessante pra ninguém. Até o público se sente incomodado".

adnight2Seguindo esta linha de raciocínio, Emerson Muzeli (imagem), diretor-geral, diz que o lema do programa é "humor com amor". Ele aposta muito na capacidade de improviso de Adnet para envolver os convidados neste clima de brincadeira. Muzeli, que trabalha com a diretora Fernanda Telles, enxerga em Adnet uma mistura de Jerry Lewis e Dean Martin, a dupla que fez um sem número de comédias no cinema.

"Jerry Lewis é um grande elogio", responde Adnet. "Mas quando você faz um programa deste tipo, ele fica com a cara do apresentador. Esse é o diferencial. O (Fabio) Porchat vai fazer um negócio que é a cara dele, o Danilo (Gentili) já tem um programa que é a cara dele. Eu espero fazer um programa que fique com a minha cara."

O programa conta com uma banda formada por oito músicos, entre quais Gustavo Pereira, conhecido por seu trabalho como dublador (é o "Nemo"), um antigo parceiro de Adnet. Há também uma trupe de cinco artistas com habilidades circenses, liderados por Thiago de Los Reyes. Na plateia, 100 pessoas.

A equipe de redação conta com Mauricio Cid (Não Salvo), Pedro HMC, Andre Brandt, Juliano Enrico, Alessandra Colassanti e Marceu Vieira. Vários destes nomes são talentos nascidos na internet, que serão fundamentais no esforço de "prolongar" o programa fora da tela principal, nas redes sociais.

"Adnight" vai estrear na mesma semana do "Programa do Porchat", na Record. "Acho que o nosso vai ser o menos sentado dos programas, o programa com menos entrevistas", diz Adnet, citando também o "The Noite", apresentado por Gentili no SBT. "O nosso programa nunca foi cotado para ser diário. Sempre foi um programa semanal. Até pelo tamanho das coisas que vão acontecer, pela produção".

Além de apresentar e inspirar o título do programa, Adnet tem também o crédito de "redação final". "Participei de reuniões sobre tudo. Figurino. Vou usar gravata? Cenário. Quem é a plateia. Os convidados. Roteiro…", conta.

"Mal ou bem, no 'Tá no Ar', eu dividia as responsabilidades com o Marcius Melhem e o Mauricio Farias, que são dois caras que têm muito mais experiência na casa do que eu. Então, para mim, estar na frente de um programa e ao mesmo tempo tendo que estar na frente nos bastidores, é uma experiência nova".

Viajei ao Rio a convite da Globo. Crédito das imagens: Estevan Avellar/Globo

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.