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Mauricio Stycer

Duas novas más notícias mostram que o SBT está em momento pouco inspirado

Mauricio Stycer

08/07/2017 06h01


Uma semana depois de a corajosa Maísa Silva tornar público o constrangimento que sofreu por obra de Silvio Santos e Dudu Camargo, a emissora voltou a ser fonte de notícias negativas.

A primeira veio de Brasília. A emissora se viu obrigada a exibir mensagens educativas e reflexivas sobre a reforma trabalhista proposta pelo governo Temer (veja acima). Isso ocorreu em consequência de um inquérito aberto no Ministério Público do Trabalho (MPT-DF) por conta das "chamadas publicitárias com informações duvidosas sobre o tema" divulgadas anteriormente pela emissora.

Em outras palavras, o SBT levou um puxão de orelhas por ter feito uma campanha institucional alarmista, na qual havia dito coisas como: "Você sabe que, se não for feita a Reforma Trabalhista, você pode deixar de receber o seu salário?", "Você sabe que o Brasil quebra se não aprovar a nova lei da Previdência?"

A outra má notícia foi divulgada pelo Ibope. Num balanço da audiência nacional (PNT) do primeiro semestre de 2017, a Globo anunciou o seu melhor resultado desde 2012, a Record festejou a sua melhor média desde 2011 e o SBT, em direção oposta, viu sua média cair em relação ao ano anterior. Pior, perdeu a vice-liderança, que havia conquistado em 2015.

O que estas duas notícias têm em comum? Não muito, aparentemente. Mas revelam, na minha opinião, que há algo errado na emissora.

A série de vídeos sobre as reformas, divulgada depois de um encontro entre Silvio Santos e Michel Temer no salão do Jassa, mostrou-se claramente amadora, feita sem cuidado algum. Qualquer funcionário mais sensato do SBT que revisasse aquelas mensagens veria que elas pareciam muito mais propaganda do governo do que uma campanha de esclarecimento – e, por isso, não deveriam ir ao ar.

Já os números de audiência relativos ao primeiro semestre me parecem reflexo da falta de apetite do SBT. Sem esboçar reação, a emissora tem assistido sua principal rival, a Record, investir em diferentes áreas da programação. Quantos programas novos Silvio Santos lançou neste primeiro semestre?

Tenho certeza que mesmo o mais ferrenho sbtista e o mais apaixonado fã de Silvio Santos são capazes de reconhecer que a sua emissora querida está em um momento pouco inspirado.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.