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Mauricio Stycer

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Fãs de Renato Aragão mereciam uma biografia mais complexa sobre o artista

Mauricio Stycer

13/01/2018 12h32


O genial criador de Didi Mocó Sonrisépio Colesterol Novalgino Mufumbo completa 83 anos neste sábado, 13 de janeiro, ainda ativo e bem disposto, como mostrou no especial "Os Trapalhões", exibido pelos canais Viva e Globo no segundo semestre de 2017.

Mesmo resistente à ideia de aposentadoria, Renato Aragão está tendo a oportunidade de colher o reconhecimento pelo muito que fez em mais de 50 anos de carreira na TV e no cinema. No último mês do ano passado, ele ganhou duas homenagens de peso – a Ordem do Mérito Cultural, dada pelo presidente Michel Temer, e a biografia "Renato Aragão – Do Ceará para o coração do Brasil", de Rodrigo Fonseca (Estação Brasil, 304 págs., R$ 49,90).

No Palácio do Planalto, ele driblou o eventual constrangimento de ser condecorado por um presidente tão impopular quanto Temer com uma tirada diplomática: "Eu estou aqui a convite pela cultura, pode ser qualquer presidente", disse.

Mais difícil é explicar a opção por um livro de memórias tão sem sal. Renato teria tomado a iniciativa de fazer o livro para se antecipar à publicação de algum relato não-autorizado. "Prefiro fazer a minha biografia antes que alguém faça", disse ele, segundo o relato do dono da editora Sextante, Marcos da Veiga Pereira.

O resultado é um conjunto de histórias e causos, encadeados sem maior apuração nem contextualização. Renato é enaltecido como um super-homem, com dezenas de talentos e nenhum defeito, dono de uma carreira em linha reta, sem tropeços, cercado apenas por amigos, sem desafetos. É atleta, cinéfilo, apreciador de alta literatura e conhecedor de história, compositor musical, entre outros atributos.

Não questiono a opção de evitar entrar em minúcias sobre a vida pessoal. Mas lamento muito a falta de disposição para mergulhar a fundo na carreira de Renato Aragão, construída em um período dos mais férteis e menos documentados da história da TV. Mesmo o maior fã de Renato e dos Trapalhões vai chegar ao final da leitura deste livro desconfiado de que partes importantes da trajetória profissional do artista foram varridas para debaixo do tapete.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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