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“Tá no Ar” cansou? Programa segue ótimo, a culpa é da TV que não muda

Mauricio Stycer

30/01/2018 05h01


A Globo exibe nesta terça-feira (30) o segundo episódio da quinta temporada do "Tá no Ar". Já disponível no serviço de streaming da emissora, assim como o da estreia, ele segue com a mira perfeitamente regulada na direção do seu alvo maior – os excessos e absurdos do mundo da televisão.

Sem dar muito spoiler, a atração desta terça inclui, entre outros, paródias de programação religiosa com cara de comércio, publicidade engajada, Jorge Bevilácqua ("Foca em mim") como jurado do "The Voice Kids", um trailer de "Orixá Wars" estrelado pela Galinha Preta Pintadinha, piadas com "The Big Bang Theory", bem como com "Dança dos Famosos" e "Dancing Brasil", além de um motim dos cavalinhos do "Fantástico".

Para os fãs do "Tá no Ar", como eu, não há do que reclamar. Além de olhar para a TV, o humorístico segue apontando suas armas para outros alvos merecedores de piadas, como o universo da política e o jornalismo de celebridades. Além do ótimo elenco de sempre, agora acrescido de Eduardo Sterblitch, o episódio desta terça conta com participações especiais de Bruno Mazzeo e Luisa Arraes.

Para espectadores mais exigentes, com mais referências, o "Tá no Ar" talvez não seja nada demais, mas rir da TV aberta na própria TV aberta é um desafio complicado. Noto o cuidado do programa de propor um diálogo crítico sobre televisão ao espectador, mas sem ofendê-lo por gostar do que, eventualmente, está sendo objeto de piada.

Tudo muito bem, tudo muito bom. Mas fiquei com a sensação de que o programa não transmite mais o mesmo entusiasmo. Não por alguma falha da equipe de criação, mas por culpa da própria televisão. Ela não mudou tanto assim nestes últimos cinco anos, ao menos no que tem de mais ridículo, o que faz com que o "Tá no Ar" pareça, em alguns momentos, repetitivo.

Tomara que seja só uma impressão. E que o "Tá no Ar" encontre matéria-prima mais fresca que o ajude a se renovar.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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