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Novela da Globo vira arma na guerra pelo mercado de streaming

Mauricio Stycer

07/04/2019 05h01

Cena do capítulo de estreia de "Órfãos da Terra", nova novela das 18h da Globo

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O espectador interessado no futuro da televisão deve levar em consideração uma série de movimentações que estão ocorrendo neste momento tanto no mercado global quanto no brasileiro. Elas mostram como diferentes empresas estão fazendo investimentos pesados em serviços de streaming.

Na última semana de março, a Apple anunciou oficialmente o seu serviço de streaming de séries originais, o Apple TV+.  A Disney, que adquiriu a 21st Century Fox, vai lançar ainda este ano o seu serviço, chamado de Disney +. A AT&T, que é dona da Warner e da Turner, também se prepara para oferecer um serviço do gênero e, eventualmente, até parar de oferecer os seus canais na TV paga brasileira.

Estas três gigantes estão correndo atrás do prejuízo. Líder de mercado, a pioneira Netflix segue expandindo a sua fatia de mercado – a empresa está presente em 190 países, disponível em 27 línguas e tem 139 milhões de assinantes (mais da metade fora dos EUA). Bem atrás dela, mas também já estabelecida globalmente e com mais cacife, a Amazon oferece o Prime Video.

Uma das estratégias da Netflix é produzir séries em diferentes mercados com potencial de "viajar bem", como diz Maria Ângela de Jesus, diretora de produções originais brasileiras da empresa. Desta forma, a empresa gera simpatia interna, gasta menos do que nos EUA e enriquece o seu catálogo com produtos falados nas mais variadas línguas.

Ao lançar "Coisa Mais Linda", em março, a Netflix informou que pretende colocar quase uma dezena de novas séries brasileiras em seu catálogo até o fim deste ano. Ainda neste semestre virão a segunda temporada da comédia "Samantha", a terceira temporada do drama futurista "3%" e o mistério sobrenatural "O Escolhido".

Nesta batalha por mercado, a Globo tenta se apresentar com uma alternativa brasileira. Em dezembro do ano passado, João Mesquita, diretor-geral da Globoplay, prometeu lançar 100 séries no serviço em 2019. Segundo levantamento do site Notícias da TV, a promessa vai ser cumprida – metade da meta já foi alcançada.

Num gesto ousado, nesta terça-feira (2), a Globoplay anunciou que exibirá os capítulos de "Órfãos da Terra", nova novela das 18h da emissora, com 24 horas de antecedência em relação à TV. É uma decisão importante, em vários sentidos.

Primeiro, mostra que a empresa resolveu colocar o seu produto principal, a novela, como arma na guerra pelo mercado de streaming. Segundo, por colocar em questão o tradicional hábito do brasileiro de assistir novelas.

Consultada, a Globo diz que se trata apenas de "uma experimentação". Faz sentido a cautela. Pois é um passo importante, com repercussões em vários níveis, da área comercial à medição de audiência, na transição do modelo de TV tradicional (linear) para o de TV digital.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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