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Blog do Mauricio Stycer

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Atrizes do “Tá no Ar” turbinam o bom núcleo de humor de “Órfãos da Terra”

Mauricio Stycer

17/05/2019 05h01

Boris (Osmar Prado) e sua neta Sara (Verônica Debom) em cena de Órfãos da Terra

Núcleos de humor são praticamente obrigatórios em novelas dramáticas. No esforço de oferecer algum alívio cômico, os autores normalmente criam situações exageradas e sem conexão com a trama principal. "Órfãos da Terra" tem conseguido fugir deste lugar comum.

A novela das 18h tem, sim, um núcleo de humor, mas muito bem integrado à história principal, que é pesada. Construído de forma inteligente e, não menos importante, vivido por um grupo de atores de alto nível, este segmento da trama tem chamado muito a atenção.

Para começo de conversa, o núcleo opõe dois idosos conservadores, o árabe Mamede Al Aud (Flavio Migliaccio) e o judeu Boris Fischer (Osmar Prado). Os dois ótimos atores parecem estar se divertindo muito em cena. Um complemento cômico são os cachorros de ambos, um enorme e um minúsculo, que se dão muito bem, apesar da hostilidade que os donos nutrem um pelo outro.

Sara (Verônica Debom), neta de Boris, se apaixonou por Ali (Mouhamed Harfouch), neto de Mamede. O amor interétnico, logicamente, foi rejeitado pelos dois idosos. E o árabe fez chegar a São Paulo uma "noiva" para o neto, Latifa (Luana Martau).

No capítulo desta quinta-feira (16) Latifa tirou o véu e deixou todos encantados. Menos Sara, claro, que ficou louca de ciúmes. O duelo entre as duas, apenas começando, dá sinais de que pode render muito – as duas boas atrizes são do elenco do humorístico "Tá No Ar", recém-encerrado.

Outro grande talento do humor, ainda à espera de um voo mais alto na novela, Marcelo Médici vive Abner Blum. Ele é um rapaz judeu, oprimido pela mãe exageradamente protetora, Ester (Nicette Bruno), que sonha vê-lo casado com Sara.

Duca Rachid e Thelma Guedes, as autoras de "Órfãos da Terra", têm tratado este núcleo de humor, até o momento, com muito carinho. As histórias se sustentam e a graça tem fluído naturalmente. Mais uma bola dentro de "Órfãos da Terra".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.