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Blog do Mauricio Stycer

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Ao sugerir contradição de Moro, quadro de humor da Globo faz jornalismo

Mauricio Stycer

2017-06-20T19:12:42

17/06/2019 12h42

Sempre muito afiado e sintonizado com os assuntos mais quentes da TV e do noticiário, o quadro "Isso a Globo Não Mostra", exibido pelo "Fantástico", deu destaque especial neste domingo (16) ao ministro Sergio Moro.

O quadro explorou a reação de Moro ao vazamento de conversas com o procurador Deltan Dallagnol divulgadas pelo site The Intercept. São diálogos da época em que ele era juiz e mostram que orientou as investigações da operação Lava Jato em Curitiba.

Na segunda-feira (11), um dia após o primeiro vazamento, Moro disse, conforme registrou o "Jornal Nacional": "Aquilo lá é uma invasão criminosa de celulares de procuradores. Pra mim, isso é um fato bastante grave ter havido essa invasão e essa divulgação."

O quadro do "Fantástico" lembrou de um comentário de Moro, aparentemente contraditório, feito dois meses antes, em 9 de abril, no "Conversa com Bial". Questionado pelo apresentador sobre conversas que ele vazou de forma ilegal entre a então presidente Dilma e o ex-presidente Lula, Moro disse: "O problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo. O problema era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo".

Para temperar com humor este contraponto eminentemente jornalístico, "Isso a Globo Não Mostra" inseriu cenas de Diana, a personagem de Alinne Moraes na novela "Rock Story". "Quando é você, não tem importância nenhuma, é uma besteira. Agora, quando sou eu, é um crime. São dois pesos e duas medidas". Risos.

A ironia da situação, exposta no quadro, coloca mais pimenta numa discussão levantada neste final de semana pela colunista Cristina Padiglione, que criticou a "timidez editorial" do jornalismo da Globo, na comparação com o humorístico "Zorra", na cobertura do caso revelado pelo "The Intercept". Em resposta, o diretor de jornalismo da emissora, Ali Kamel, disse que a crítica é "contraditória, injusta e faz confusão com regras básicas do jornalismo e do humor".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.