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Blog do Mauricio Stycer

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Para diretor do SBT, “mazelas do país” não devem contar com apoio da Ancine

Mauricio Stycer

21/07/2019 19h08

Christiana Ubach na série "A Garota da Moto", realizada pelo SBT com recursos da Ancine

Um dos principais executivos do SBT, Fernando Pelegio publicou em sua conta no Instagram uma longa mensagem de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. "Está correto nas críticas", anotou acima da logomarca da Ancine (Agência Nacional de Cinema).

Bolsonaro afirmou na sexta-feira (19) ser a favor de "filtros" para a aprovação de projetos na Ancine. "Não pode é dinheiro público ser usado para filme pornográfico", disse em referência ao filme "Bruna Surfistinha". O diretor de planejamento artístico e criação do SBT concorda com a ideia. Em vez de filtros, usou a palavra "curadoria", defendendo que não sejam aprovados projetos que mostrem a realidade do país.

Escreveu Pelegio: "Correto dizer que a Ancine não foi criada para propagandear as mazelas do Brasil com dinheiro de impostos. Se o dinheiro é público, deve-se servir ao bem público e ao Brasil. Nunca ouvi falar em censura, ninguém a quer de volta, se os produtores de Bruna Surfistinha querem fazer o filme, sem problemas, podem fazê-lo, mas segundo a ótica correta dele, sem dinheiro da sociedade. A curadoria se faz necessária."

E acrescentou: "Que se faça uma Ancine que contribua com o país ou não há razão para existir. Se é para funcionar erradamente, vamos parar de cobrar a Codecine (menos um imposto nas nossas vidas) e deixar o mercado funcionar de acordo com a lei da oferta e procura".

A defesa de "filtros" ou "curadoria", na realidade, implica em seleção de conteúdo. O problema é que a área de Pelegio no SBT tem recorrido à Ancine com alguma frequência em busca de autorização para captar recursos para as suas próprias produções.

Vários seguidores de Pelegio no Instagram lembraram ao executivo deste detalhe, citando as séries "A Garota da Moto" e "Z4", o reality "Fábrica de Casamentos" e os dois filmes derivados da novela "Carrossel". Além disso, agora em julho o SBT foi autorizado pela Ancine a captar R$ 7,5 milhões para realizar um filme baseado em "As Aventuras de Poliana".

Ainda que destinada ao público infanto-juvenil, "A Garota da Moto" exibe algumas "mazelas do Brasil", como diria Pelegio, como a dura vida de um grupo de motoboys em São Paulo, explorados por uma empresa do ramo, além de diferentes criminosos em ação.

A seguidora Janaine escreveu: "O que seria de alguns projetos da sua casa sem a Ancine? Porque seguindo o mesmo pensamento citado em seu texto, me pergunto qual o valor que agrega a sociedade certos programas do SBT apoiados pela Ancine".

Pelegio respondeu: "Não sou contra financiamento público para obras. Só acho que elas devam passar por discussão."

Outro seguidor observou: "E porque o SBT não produz seu conteúdo com o próprio dinheiro de vocês? Querem fazer filmes e séries? Sem problemas, podem fazê-lo, mas segundo SUA ÓTICA, sem dinheiro da sociedade. Por que não segue o que está defendendo?"

Pelegio respondeu: "Respeito sua opinião. Não sou contra o financiamento público de obras. Apenas acho que precisamos discutir quais conteúdos merecem investimento da sociedade. Seu ponto é válido e pertinente".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.