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Mauricio Stycer

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Programa do SBT gera mais fofoca sobre ele próprio do que sobre famosos

Mauricio Stycer

25/07/2019 05h01

Mamma Bruschetta, Decio Piccinini, Mara Maravilha, Leão Lobo, Lívia Andrade e Leo Dias

É fascinante a trajetória do programa "Fofocalizando", que, como o nome indica, tem a fofoca como matéria-prima. Nascido há três anos, em 1º de agosto de 2016, é uma das atrações com bastidores mais atribulados da televisão brasileira. A esta altura, inclusive, é possível dizer que revolucionou o gênero "programa de fofoca" ao se tornar uma atração que gera mais fofoca sobre ela mesma do que sobre a vida das celebridades que acompanha.

O nascimento do programa, batizado como "Fofocando", já indicava que o seu destino era ser notícia mais pela bagunça interna do que pelas fofocas que divulgava.

Entre a contratação dos dois primeiros apresentadores, a simpática Mamma Bruschetta e o jurado da APCA Leão Lobo, e a estreia da atração, se passou apenas uma semana. Os relatos são de que Silvio Santos ligou pessoalmente para os dois, então na TV Gazeta, e os convenceu a mudar de emissora.

A estreia improvisada também será lembrada pela presença do "Homem do Saco", um tipo com a cabeça coberta, que fazia comentários aleatórios – diferentes profissionais ocuparam a honrosa posição no programa.

Outros dois nomes de peso foram agregados ainda à primeira versão: Mara Maravilha, o xodó do Patrão, e Leo Dias, como repórter no Rio. No ano seguinte, já rebatizado como "Fofocalizando", foram incorporados o inoxidável Decio Piccinini e a exuberante Lívia Andrade.

Este sexteto tem mostrado talento extraordinário para gerar atritos internos. A lista de barracos é enorme, por isso vou resumir assim: todos já brigaram com todos – ao vivo e nos bastidores. Também já se desentenderam com os diretores do programa (o primeiro, Marcio Esquilo, foi trocado por um segundo, Caco Rodrigues, e, após um breve período, chamado de volta).

Como não poderia deixar de ser, alguns participantes também já se envolveram ou provocaram confusões com apresentadores de atrações concorrentes. Lívia, minha favorita, também já arrumou confusão com figuras espetaculares, como MC Mirella, Val Marchiori e Antonia Fontenele, entre outras.

Creio que minha querida Mara é a campeã de brigas e saias-justas. Talvez só não tenha se desentendido ainda com o rapaz que serve cafezinho no camarim. Nesta quinta-feira, sob os auspícios de Silvio Santos, como de hábito, ela volta a se sentar no sofá do "Fofocalizando" (por quanto tempo?).

Já Leo Dias, que acaba de pedir licença, tornou-se, para o bem e para o mal, uma espécie de garoto-propaganda do programa. Corajoso e vaidoso, foi notícia em vários momentos nestes últimos dois anos. Fez revelações sérias sobre a sua vida na revista "Veja", expôs as amizades e os conflitos internos do próprio "Fofocalizando" nas redes sociais e virou uma celebridade ao lançar um livro sobre a cantora Anitta.

Leo Dias, aliás, é o único do sexteto que costuma trazer informações exclusivas para o programa. Por isso, a julgar por tudo que aconteceu nestes três anos, creio que o "Fofocalizando" deveria deixar de lado esse negócio de fofoca e se assumir como reality show sobre os seus participantes. Vai render mais.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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