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Sem pudor, SBT exibe pseudojornalístico dublado no horário nobre

Mauricio Stycer

01/10/2019 20h19

A apresentadora Janice Villagrán, do "Alarma TV", apresenta o vídeo de um carro-bomba no Iraque

De onde menos se espera é que não sai nada mesmo, dizia o jornalista e escritor Aparício Torelly (1895-1971), o Barão de Itararé. É a única coisa que vem a cabeça ao assistir a estreia de "Alarma TV", no SBT.

O capítulo sobre o notório desprezo de Silvio Santos pelo jornalismo acaba de ganhar mais um item. Sem explicação, a emissora começou a exibir na noite desta terça-feira (01) um programa que ofende os profissionais da emissora e o público.

O pseudojornalístico, realizado por uma TV americana em espanhol, compila vídeos bizarros ou violentos na internet. É apresentado por tipos em roupas berrantes e risonhos, mesmo mostrando pessoas explodindo junto com carros-bomba.

O programa, aliás, foi oferecido ao Jornalismo, mas acabou na área de Programação do SBT. A emissora dublou os episódios, mas não se deu ao trabalho de traduzir os caracteres, exibidos em espanhol. Os vídeos vão ao ar sem data, sem contexto e sem crédito.

O nível é tão baixo que pouco se aproveita de cada episódio. O que o SBT exibiu na estreia reúne vídeos de mais de um programa – tanto que a apresentadora aparece com dois vestidos diferentes e um dos apresentadores é subitamente substituído por outro.

Na abertura, um vídeo mostrou a explosão de um carro-bomba no Iraque. Morreram quatro pessoas, segundo a apresentadora Janice Villagrán. Quando foi isso? Ela não informou.

Outro vídeo tratou do consumo de urina de vaca na Índia. Outro falou de exorcismo na Colômbia. E um ainda falou de um sujeito que manteve uma tesoura dentro do corpo por anos. Nenhum vídeo tem mais do que 15 segundos e os apresentadores não explicam nada.

É um momento baixo da emissora exibir uma porcaria dessas em seu horário nobre, às 19h20, buscando angariar audiência para o "SBT Brasil", que começa às 19h45.

Em tempo: o programa foi cancelado um dia depois da primeira exibição.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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