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Repórter diz que foi induzida a se retratar sobre Datena: “Eu não menti”

Mauricio Stycer

28/10/2019 12h43

Perfil de Bruna Drews no Instagram com a mensagem que ela postou sobre a retratação

Dois dias depois da divulgação de uma retratação que assinou em cartório, na qual afirma que "não condizem com a realidade" as acusações de assédio que fez ao apresentador José Luiz Datena, a jornalista Bruna Drews voltou atrás. Em um texto em seu perfil no Instagram, publicado por volta das 12h desta segunda-feira (28), ela afirma: "Eu não menti. Fui induzida e mal orientada a assinar um documento que não condiz com a realidade."

Escreve ela: "Ontem em uma reunião com meus familiares, que sofrem junto comigo todos os reflexos do ocorrido, decidimos não fugir da luta e acreditar que em algum momento a justiça será feita. Mais uma vez digo: EU NÃO MENTI. Mulheres que passaram por isso sabem como é difícil encarar essa briga e vencê-la."

Segundo Bruna, a decisão de se retratar ocorreu após o arquivamento da ação que moveu contra Datena por assédio sexual. "Não houve investigação policial, meu depoimento não foi colhido e nenhuma testemunha foi ouvida. A justiça não me permitiu brigar pelos meus direitos. A situação se inverteu e acabei processada por calúnia e difamação, mas não tinha condições psicológicas e financeiras para encarar mais esta briga", escreve ela. O caso foi revelado em janeiro pelo jornalista Daniel Castro no site Notícias da TV.

Procurado pelo blog, Datena lamentou que Bruna Drews queira, segundo ele, "continuar mentindo". Disse o apresentador: "A decisão já foi homologada pela justiça. Só ler o texto da declaração onde ela reconhece a mentira que contou e pede desculpas a mim e minha família, de livre e espontânea vontade (está no texto). Reconhece que mentiu, prejudicou a mim e minha família e quer continuar mentindo perante um documento assinado perante a Justiça. Reitero que tais fatos como esta moça conta nunca aconteceram."

No documento em que se retratou, divulgado no blog de Leo Dias, Bruna havia dito:

"A presente se trata de uma retratação em razão de processo judicial, movido por mim, que afirmei ter sido vítima de assédio moral em transmissões do programa de televisão Brasil Urgente da emissora, Band, em confraternização ocorrida em 7 de junho de 2018 e em outras oportunidades. Ainda esclareço que tais fatos não condizem com a realidade e nunca ocorreram; sendo que os vídeos dos programas ao vivo, juntados aos autos, não passaram de brincadeira, consignando que não me senti constrangida com referido evento e aproveito esta declaração para também pedir desculpas ao senhor José Luiz Datena e sua família pelos transtornos causados, pretendendo que a presente retratação sirva para restabelecer qualquer dúvida sobre a sua idoneidade. E, por fim, expressamente renuncio a qualquer direito e a eventuais reflexos relacionados comn o pedido de indenização decorrentes de assédio sexual e moral alegado, perante todos os órgãos administrativos e judiciais, em qualquer grau de jurisdição, nas esferas trabalhista, civil e criminal."

No sábado, dia em que a retratação tornou-se pública, a profissional registrou uma mensagem enigmática em seu perfil no Instagram: "É melhor ser feliz do que ter razão. Entendedores entenderão". No domingo, postou outra frase de efeito: "Infelizmente, o mundo está cheio de lixos intocáveis. Só uma coisinha que ouvi por aí."

Abaixo, a íntegra do texto divulgado nesta segunda-feira:

Ver essa foto no Instagram

Carta aberta a quem interessar : Eu não menti. Fui induzida e mal orientada a assinar um documento que não condiz com a realidade . A verdade é que meu processo de assédio sexual contra o apresentador inexplicavelmente foi arquivado. Não houve investigação policial, meu depoimento não foi colhido e nenhuma testemunha foi ouvida. A justiça não me permitiu brigar pelos meus direitos . A situação se inverteu e acabei processada por calúnia e difamação, mas não tinha condições psicológicas e financeiras para encarar mais esta briga.Fui induzida a fazer um acordo. No entanto, não estava totalmente consciente das consequências cíveis e criminais de declarar fatos que não aconteceram; somente o fiz porque pensei que assim se encerrariam todos os processos. Os fatos aconteceram como eu havia declarado inicialmente mas a outra parte envolvida conseguiu reverter inexplicavelmente a situação. Assinei tal carta na intenção de recuperar a minha saúde física e mental e enterrar o ocorrido. Ontem em uma reunião com meus familiares, que sofrem junto comigo todos os reflexos do ocorrido, decidimos não fugir da luta e acreditar que em algum momento a justiça será feita . Mais uma vez digo: EU NÃO MENTI . Mulheres que passaram por isso sabem como é difícil encarar essa briga e vence-la. Por último , quero deixar claro que não recebi nenhuma compensação financeira para cometer o ato errôneo de assinar a tal carta. Sigo com a minha moral e integridade intactas . Minha consciência está tranquila. Tudo o que eu mais quero é me livrar de uma situação que estava acabando com a minha saúde .

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.