“Haja Coração” acertou ao apostar em tramas e personagens de apelo popular
Em sua segunda investida solo em uma novela na Globo, Daniel Ortiz não teve dúvida ao apostar numa trama escapista e de forte apelo popular. Faltou em "Haja Coração" a leveza de "Alto Astral", o trabalho anterior do autor. O risco de rejeição era grande: Ortiz mexeu num clássico de nossa televisão, "Sassaricando", que seu mestre Silvio de Abreu escreveu na década de 1980. Não faltaram as comparações com personagens emblemáticos, como Fedora Abdala, Aparício Varela e Tancinha.
E não é que a aposta revelou-se acertada?! A novela das sete que terminou hoje (08/11) manteve a média de 27 pontos de audiência no Ibope da Grande São Paulo, a mesma da trama anterior no horário, "Totalmente Demais", considerada um sucesso para os padrões atuais. A Globo comemora largamente, já que a faixa das sete era problemática, com uma sequência de resultados aquém dos desejados pela emissora.
Nada em "Haja Coração" foi sutil: da abertura, visualmente poluída, à trilha sonora popular, do melodrama rasgado à comédia rasgada, das referências à cultura pop, à pegada infantil e ao maniqueísmo – tramas e personagens piegas, sem nuances, como Shirlei, enjoativamente boazinha e certinha, e Jéssica, Bruna e Carmela, terrivelmente malvadas. É um risco a opção pelo caminho mais fácil para atingir o público médio – entende-se nesse caso um texto às vezes raso e situações forçadas, sem muito compromisso com a realidade ou a lógica.
Uma tênue linha pode separar o popular do mau gosto ou do mal feito. A seu favor, "Haja Coração" teve uma produção de primeira, um elenco de muitos recursos, a direção (equipe de Fred Mayrink) bem afinada com a concepção da novela, e a habilidade do autor em costurar tramas, numa profusão de entrechos ora cômicos ora dramáticos, de forma a manter o público interessado e envolvido sem fazê-lo cansar.
Com forte apelo infantil, dramático e/ou cômico, Tancinha (Mariana Ximenes), Fedora (Tatá Werneck) e Shirlei (Sabrina Petraglia) conquistaram o coração de crianças e adolescentes e viraram as grandes heroínas da novela. O mesmo vale para seus pares Beto e Apolo (João Baldasserini e Malvino Salvador), Leozinho (Gabriel Godoy) e Felipe (Marcos Pitombo). Vale destacar também as personagens de Malu Mader, Carolina Ferraz, Ellen Roche e Renata Augusto – em minha opinião, as melhores da novela, juntamente com a luxuosa participação de Grace Ginoukas e Cristina Pereira, impagáveis como Teodora e Safira Abdala.
O melhor de tudo foi calar os reclamões que torceram o nariz para a Tancinha de Mariana Ximenes, acusada no início de caricata e exageradamente fora da realidade. Como se a Tancinha original – de Claudia Raia – não tivesse sido! Ximenes fez o certo: ancorada na proposta da novela, não caiu na armadilha da imitação, foi além, reciclou, repaginou e modernizou a personagem. Ximenes fez bonito e fez sucesso. A maior prova foi a torcida nas redes sociais por #Betancinha e #Aponcinha (o final da personagem com Beto ou Apolo).
ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}
Ocorreu um erro ao carregar os comentários.
Por favor, tente novamente mais tarde.
{{comments.total}} Comentário
{{comments.total}} Comentários
Seja o primeiro a comentar
Essa discussão está encerrada
Não é possivel enviar novos comentários.
Essa área é exclusiva para você, assinante, ler e comentar.
Só assinantes do UOL podem comentar
Ainda não é assinante? Assine já.
Se você já é assinante do UOL, faça seu login.
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Reserve um tempo para ler as Regras de Uso para comentários.