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Maior sucesso das 7 em anos, "O Tempo Não Para" diverte com texto delicioso

Nilson Xavier

14/08/2018 12h39

Milton Gonçalves e Edson Celulari (foto: reprodução)

Há duas semanas no ar, "O Tempo Não Para" já pode ser considerada um sucesso. O maior atrativo da novela das sete são os personagens do passado diante do "admirável mundo novo". Está sendo uma delícia aguardar a reação de cada membro do clã dos Sabino Machado ao "despertar" ante o universo completamente diferente daquele que a família deixou no século 19. O texto é o grande charme: a língua portuguesa do passado em contraste com a falada hoje, um palavreado incomum frente à coloquialidade moderna.

Nada disso seria possível não fosse a fusão agradável da trama com o texto afiado do autor Mário Teixeira, a direção artística de Leonardo Nogueira e o elenco, no geral, bem escalado. "O Tempo Não Para" é a novela mais vista no horário das sete (no mesmo período de duas semanas iniciais) dos últimos seis anos – desde "Cheias de Charme", em 2012, considerada um fenômeno. Uma média de 28,35 pontos no Ibope da Grande São Paulo. Veja a relação:
"Deus Salve o Rei": 25,95
"Pega Pega": 27,0
"Rock Story": 24,35
"Haja Coração": 26,3
"Totalmente Demais": 22,35
"I Love Paraisópolis": 25,9
"Alto Astral": 22,7
"Geração Brasil": 21,3
"Além do Horizonte": 19,8
"Sangue Bom": 24,8
"Guerra dos Sexos": 24,4
"Cheias de Charme": 28,95

Já deu para notar que Dom Sabino é o melhor papel de Edson Celulari em anos. O personagem vem roubando a cena com seus rompantes, linguajar e falas de efeito. As sequências com Milton Gonçalves ("meu bom Eliseu!") – um grande ator que só engrandece a novela – são as melhores. O texto pincela crítica social aqui e ali, de forma leve e espirituosa.

No capítulo desta segunda-feira (13/08), Dom Sabino falou dos "membros da nobreza parasitária, aproveitadores que vivem dos impostos do povo às custas do suor de homens de bem".
– Mas o ser humano não muda mesmo! A classe política continua igual, com seus privilégios, com a sua ganância! Até quando sustentaremos essa corja com o suor de nosso rosto?

O texto remete à excelente série "Filhos da Pátria", do ano passado, igualmente crítico e bem humorado sobre o pouco que a ética no Brasil mudou em mais de cem anos. Já imaginei a família de Geraldo Bulhosa e Maria Teresa (Alexandre Nero e Fernanda Torres) no lugar dos Sabino Machado na novela das sete.

Christiane Torloni, Juliana Paiva e Nicolas Prattes (foto: reprodução)

Juliana Paiva é outro destaque. Com muitas falas rebuscadas, a jovem dá conta de Marocas, uma personagem difícil que poderia resultar em tragédia na pele de uma atriz menos preparada. Em contrapartida, seu par romântico Nicolas Prattes ainda não disse a que veio, já que o personagem não exige muito. Sobre Nicolas pesam o fato de ser jovem demais para o papel e a pouca bagagem em televisão. Difícil de engolir Samuca, com 20, 21 anos (o que de fato o ator aparenta), comandando uma grande empresa como a mostrada na trama. Mas é um detalhe que não chega a desabonar a novela.

O maior receio, no entanto, é o esgotamento do que a trama tem de mais atraente: que todas as características dos personagens "congelados" se percam na adaptação aos dias de hoje. Logo os congelados terão despertado e se acostumado à modernidade. Ou não. Ou diante do caos moderno, preferirão voltar ao mundo de antigamente. Um bom trunfo nas mãos do autor Mário Teixeira. E que pode render muito.

AQUI tem tudo sobre "O Tempo Não Para": trama, elenco, personagens, trilha sonora, curiosidades.

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Sobre o autor

Nilson Xavier é catarinense e mora em São Paulo. Desde pequeno, um fã de televisão: aos 10 anos já catalogava de forma sistemática tudo o que assistia, inclusive as novelas. Pesquisar elencos e curiosidades sobre esse universo tornou-se um hobby. Com a Internet, seus registros novelísticos migraram para a rede: em 2000 lançou o site Teledramaturgia (http://www.teledramaturgia.com.br/), cujo sucesso o levou a publicar o Almanaque da Telenovela Brasileira, em 2007.

Sobre o blog

Um espaço para análise e reflexão sobre a produção dramatúrgica em nossa TV. Seja com a seriedade que o tema exige, ou com uma pitada de humor e deboche, o que também leva à reflexão.

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