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Sondada por canais de TV, Mariana Ferrão escolhe o YouTube como nova casa

Mariana Ferrão agora é youtuber - Reprodução
Mariana Ferrão agora é youtuber Imagem: Reprodução
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Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

15/10/2019 11h46

Mariana Ferrão saiu da Globo em março deste ano. Depois de uma longa jornada apresentando o programa Bem Estar, preferiu apostar em sua empresa de conteúdo. Além de ministrar palestras e cursos, a jornalista agora também chega ao YouTube, reforçando o interesse por saúde mental e emocional.

Trata-se de uma iniciativa em parceira com o próprio Google, parte do projeto Figuras Públicas do YouTube, cuja intenção é "possibilitar uma nova forma de engajamento dessas figuras públicas com seus fãs, por meio da nossa plataforma que permite a criação de conteúdos diferentes do que estamos acostumados a vê-los fazer", segundo João Branco, Gerente de Parcerias Estratégicas.

A Coluna Chico Barney conversou com Mariana Ferrão a respeito da empreitada na internet.

Quais são os principais objetivos do novo canal? Como ele deve se diferenciar do que você já realizava em outros lugares?

Continuar falando sobre saúde. Acho que me encontrei de fato nessa área, e isso tem a ver com a minha história pessoal, a superação de uma depressão grave na adolescência. Tem a ver com a minha verdade, que é gostar muito de gente, gostar de cuidar de gente, e também com um incômodo muito grande que eu tinha no próprio programa do Bem Estar, que era perceber o quanto é difícil a gente mudar hábito das pessoas.

Por mais que a gente fale, dificilmente as pessoas se engajam numa mudança de hábito. Sabemos que na maior parte das vezes a gente tem plena consciência do que a gente precisa fazer para ser mais saudável, para ter uma vida com mais qualidade. E aí eu te pergunto, por que a gente não faz? E uma das coisas que eu descobri nessa caminhada é que a gente não muda pelo que a gente sabe, a gente muda muitas vezes pelo que a gente sente.

Então o objetivo do canal é falar sobre saúde com mais emoção, para gerar conexão e engajamento. E todo o conteúdo que eu estou produzindo agora tem esse foco de conexão e engajamento. Ele é diferente do que eu realizava na TV porque a própria plataforma é completamente diferente. Você tem um diálogo, enquanto na TV você tem uma conexão de mão única. E esse diálogo vai ser muito importante para construção do canal.

Tem alguns quadros estruturados no canal mas eles estarão absolutamente abertos ao teste do público. Ou seja se o público não gostar, se não fizer sentido, a gente vai mudar. É justamente para isso que eu saí da TV, para ficar mais perto do público, para poder ter esse diálogo aberto e para poder entender de fato qual é o conteúdo que gera conexão e que faz sentido.

Tem algo que é muito importante: aquilo que eu falo, faz muito sentido para mim. Mas eu preciso saber se faz sentido para os outros também. Aprendi nessa caminhada que cada um se conecta de um jeito, então a ideia é que a gente tenha várias vozes no canal, não só a minha. Que a gente faça entrevistas com histórias inspiradoras, vai ter um quadro, por exemplo, chamado Parada Obrigatória, que é um quadro em que as pessoas foram obrigadas a parar por questões de saúde. E a partir do momento que elas pararam, tiveram que repensar a vida toda. Elas encontraram, muitas vezes, um novo significado para a vida. Eu amo essas histórias. Como diz a Brené Brown, história é a informação com alma.

Muita gente reclama que a internet está cada vez mais tóxica, com o acirramento da polarização em praticamente qualquer debate. Como manter a saúde mental num contexto desses?

Me pergunto sempre se a internet está cada vez mais tóxica ou se é a gente que tá se deixando contaminar. Se eu tiver bons hábitos para usar a internet, eu não fico com a parte tóxica. Muito mais tóxico do que o conteúdo que a gente pode ou não acessar, pois todo conteúdo é uma escolha, se eu quiser eu vejo, se eu não quiser, eu não vejo, muito mais tóxico é o hábito que eu próprio posso desenvolver com relação à internet. O vício de estar conectado, o vício de ter curtidas, isso sim pode ser bastante tóxico. Como é que a gente pode manter a saúde mental num contexto desse? Isso tem tudo a ver com o conteúdo da Soul.Me e do YouTube. A primeira coisa que a gente tem que fazer é questionar: o que eu to fazendo aqui? O que eu quero com essas redes sociais?

E acho que dificilmente a gente se faz essas perguntas. A gente usa a internet para distração. Essas perguntas mais profundas, 'quem sou eu', 'o que eu to fazendo aqui', 'qual o sentido da minha vida', 'o que que eu quero entrando de 5 em 5 minutos no Instagram', são perguntas difíceis, que demandam uma pausa, um silêncio, uma conexão com você. E como a gente tá num mundo muito acelerado, está cada vez mais difícil essa conexão. Muita gente está passando pela vida sem se conectar com a própria essência. Se não houver essa conexão, dificilmente você vai ter saúde mental, em algum momento o bicho vai pegar.

Como fazer o conteúdo chegar nas pessoas que precisam, mas ainda não consomem esse universo de bem-estar e saúde mental e emocional?

Difícil! Gostaria de saber a resposta. Seria lindo saber a resposta. A minha intuição diz que quem precisa chega ao conteúdo. Por amigos, que podem identificar que a pessoa ta precisando daquele conteúdo. Quem tá precisando de saúde mental e emocional já está buscando isso. Os próprios dados do Google sobre esse tipo de busca mostram o quanto isso tem crescido nos últimos anos, então talvez isso não seja uma dificuldade.

Você acompanha algum youtuber especializado no tema? Quais boas práticas desse meio você pretende adotar?

Acompanho muito o trabalho do canal Mova, o canal da Monja Coen, que tem tantas outras pessoas com conteúdo interessante. Acompanho demais pessoas de fora do Brasil, como por exemplo a Oprah Winfrey, um cara chamado Evan Carmichael... Elas têm como boa prática algo que é essencial: como eu te disse, eu sou jornalista porque eu gosto de gente. Sempre o público está em primeiro lugar. Quem está do outro lado é quem verdadeiramente importa.

Essa é uma coisa que tá presente tanto no canal do YouTube quanto na plataforma. Pretendo adotar as collabs [participações de outros youtubers em vídeos do canal], acho de fato tão lindo isso. Acredito piamente nesse jogo de ganha-ganha, a gente não está competindo, está aqui para se ajudar. E o YouTube favorece demais isso.

Não só você pode estabelecer uma conexão com pessoas que estão com um propósito alinhado ao seu, como também com marcas que tem um propósito alinhado e oferecer isso a um público que queira consumir, sem ser agressivo como uma propaganda tradicional. Isso eu acho fantástico, explorar esse mundo de uma maneira absolutamente diferente do que eu estava acostumada a vivenciar, em um meio tão fechado em si mesmo. Então to empolgada com isso.

Tem muita gente dando 'conselhos' sobre como levar uma vida melhor. As redes sociais foram inundadas por influenciadores de grande alcance que se apresentam como coach ou especialistas, por exemplo —mas nem sempre tem credenciais para tanto. Como pretende se diferenciar em um meio tão competitivo?

O que garante é a intenção genuína. Ela está antes de qualquer competência. Quando você de fato quer fazer algo de bom para os outros, muitas vezes até não importa as credenciais que você tem. É claro que precisa estar preparado para a demanda do outro lado, mas eu coloco a intenção em primeiro lugar. Quando subo no palco, nas palestras que eu faço, sempre penso que posso tocar um coração. Um, ao menos.

E tem funcionado muitíssimo bem. Acho que as pessoas acabam percebendo aquilo que é de verdade. E essa é uma grande diferença que eu sinto até nessas pessoas que eu citei. Tem muita verdade no que estou fazendo, e isso é uma grande potencia nesse negócio que tá nascendo.

Televisão nunca mais?

Fui sondada nos últimos tempos para fazer algumas coisas. Fui sondada para voltar para o noticiário e isso é uma coisa que eu efetivamente não quero. Fui sondada para fazer um programa sobre maternidade para um canal a cabo, mas meu foco nesse momento é saúde. Acho que realmente me encontrei nessa área. Principalmente em saúde mental e emocional. É um tema que eu gosto muito.

E está me dando muito trabalho! Só para você entender, são 5 pilares que a empresa tem [palestra e publicidade; curso de autotransformação e autoconhecimento; conteúdo pra empresas que querem engajar seus funcionários em mais qualidade de vida; a plataforma virtual com conteúdo gratuito e pago; canal do YouTube]. Estou bastante ocupada, trabalhando muito mais do que quando eu estava na TV. Mas... TV nunca mais? Nunca mais é muito tempo. Se eu encontrasse um jeito de fazer aquilo que eu quero, botando o meu jeito, nesse foco de saúde, eu poderia voltar. Por que não?

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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