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Chico Barney


Direção, coincidências e trilha: As 3 coisas mais irritantes em Amor de Mãe

Telminha (uma mistura de Telma com Carminha) - João Cotta/TV Globo
Telminha (uma mistura de Telma com Carminha) Imagem: João Cotta/TV Globo
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

08/01/2020 17h17

Resumo da notícia

  • Amor de Mãe é uma ótima novela, mas não é perfeita.
  • O dramalhão rasgado da Globo apresenta algumas características irritantes.
  • Destaco 3: direção descolada, coincidências bizarras e trilha da Telma.
  • Entenda melhor lendo a íntegra da imperdível coluna de hoje.

Amor de Mãe é uma novela adorável. Muita coisa acontece todos os dias, os personagens são interessantes e as tramas beiram o palpitante. Um novelão muito bem escrito, como disse o colunista Maurício Stycer no podcast UOL Vê TV dessa semana (que agora também é uma peça audiovisual, acompanhe nossas belas figuras no YouTube).

Pois muito que bem. Apesar de ótima, a estreia da autora Manuela Dias nas novelas não é perfeita. De acordo com Simpósio realizado pela Coluna Chico Barney, observe abaixo as 3 coisas mais irritantes em Amor de Mãe.

Direção descolada

José Luiz Villamarim é um baita diretor, isso não tem discussão. Mas está exercitando um tortuoso caminho estilístico que, no final das contas, não serve para nada em uma novela das 21 horas. Para dar um tom mais soturna ao folhetim, usa e abusa de takes longos com a câmera parada.

Muitas vezes parece esquecer a câmera em cima da geladeira da dona Lurdes, enquanto a família janta ou debate o destino de Sandro, muitas vezes aos berros, como se estivessem prestes a ganhar um seriado no Multishow. Por mim, tudo bem. As cenas são bonitas, e fomos condicionados a achar sofisticada essa coisa mais blasé, menos quente.

Mas de que adianta fazer com que um dramalhão fique parecendo um suspense de cabana do Supercine? Se me permitem um pitaco, acho que é isso, mais do que qualquer outra coisa, que ainda afasta da novela uma parte da sociedade. A Globo está com uma potencial campeã popular nas mãos. Mas prefere embalar esse picolé de abacaxi geladinho como se fosse um vaso da dinastia Ming. Não precisa.

Coincidências bizarras

Ninguém na família da dona Lurdes ficou surpreso com a terrível coincidência de Vitória e Raul serem os verdadeiros pais de Sandro. Lurdes não conheceu Vitória por conta de Kátia, a traficante de bebês que amava demais. Então como explicar a forma como tudo aconteceu? Misticismo?

Em outro exemplo do surrealismo fantástico da novela, já seria estranho demais se Sandro tivesse simplesmente se envolvido em um acidente de trânsito com o chefe da Vitória, que na época era apenas a patroa dele e da suposta mãe. Mas eis que esse mesmo cara é o namorado da sua quase-irmã, a Érica. E, bom, seu próprio pai.

É como se em uma mesma noite, em uma região de conflito militar, houvesse um ataque de mísseis e, de maneira absolutamente não relacionada, ainda acontecesse um terremoto e um acidente aéreo. Qual é!

A trilha da Telma

O drama da Telma é o seguinte: ela descobriu que tem um aneurisma cerebral e foi desenganada pelo médico. O negócio tá fazendo tic-tac na cachola dela, e é por isso que tudo acontece de maneira tão intensa quando o assunto é o filho Danilo. Ela quer ser avó, ela quer o rapaz cuidando do restaurante, ela quer o legado da família indo para frente quando não estiver mais por aqui.

Para embalar o drama da personagem, colocaram uma música do Fábio Jr. com os seguintes versos: "o que é que há / o que é que tá se passando / com essa cabeça?". Não me parece uma decisão de muito bom gosto, por mais que a canção seja formidável. Como agravante, ainda trocaram a original por uma versão da Gal Costa que, claro, é bacana, mas fica devendo no quesito esquisitice.

Mas é claro que essas são as minhas opiniões, não necessariamente as suas, prezado leitor. Para mais pontos de vista contundentes, não só meus, mas também de Maurício Stycer, Flávio Ricco e Débora Miranda, veja o episódio dessa semana da mesa-redonda UOL Vê TV. Conversamos sobre a demissão do Aguinaldo Silva, a programação preguiçosa de verão nas emissoras abertas e os melhores e piores da semana.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney