PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Chico Barney


Atrapalhado por carreata, Felipe Dylon faz live precária e honesta

Felipe Dylon em transmissão ao vivo pelo Instagram - Reprodução/Instagram
Felipe Dylon em transmissão ao vivo pelo Instagram Imagem: Reprodução/Instagram
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

19/04/2020 17h52

Nem tudo é superprodução no universo das lives nesse período de isolamento social. Uma prova disso é a performance de Felipe Dylon, muso de verões passados.

Sem muito alarde, preparou uma apresentação para os fãs na tarde deste domingo. Durante pouco mais de 50 minutos, desfilou seus hits em um cenário, aparentemente o salão de festas do condomínio, que remetia ao videoclipe de I Want Love, hit do Elton John protagonizado por Robert Downey Jr no começo deste século.

Apesar de jovem, Dylon não é muito íntimo dessas questões da internet. "Tinha vontade de fazer uma coisa mais digitalizada para vocês", avisou o cantor logo no começo do show intimista.

Em dado momento, ainda que rapidamente, foi bastante atrapalhado por uma carreata que passava por perto buzinando e fazendo algazarra no Rio de Janeiro. Mas não se fez de rogado e seguiu em frente com a programação.

Entre uma música e outra, contou causos a respeito dos bastidores da gravação do primeiro álbum e também abusou da eloquência para contar como foi convidado por Buchecha para gravar uma música ano passado. Algo como "ele me chamou e aí bora, mermão".

O pico de audiência foi bem abaixo do que se costuma celebrar nos eventos desse tipo atualmente. No auge, algo em torno de 1.700 telespectadores simultâneos prestigiavam o espetáculo no Instagram —bem distante dos milhões de entusiastas dos sertanejos.

Sozinho com o violão, teve o apoio apenas de alguém que gravava tudo pelo celular. O bom samaritano foi alvo de muitas críticas do público, que reclamava da falta de estabilidade das imagens, balançando de forma onírica como em um filme de Glauber Rocha.

Dylon não interagiu com ninguém. Ao fim da apresentação, começou a ler uma série de recados em um papel com anotações. Agradeceu o carinho de fãs, mandou feliz aniversário para Roberto Carlos e foi interrompido por problemas técnicos, quando a conexão caiu para nunca mais voltar.

Mesmo aos trancos e barrancos, é bom enxergar a disposição honesta dos artistas em empreendimentos desse tipo.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney