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Chico Barney


Live de Meirelles e Zukerman reinventa o conceito de programa de auditório

Zukerman e Meirelles em momento de descontração - Reprodução/Internet
Zukerman e Meirelles em momento de descontração Imagem: Reprodução/Internet
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

14/05/2020 18h11

Tenho acompanhado com afinco a fascinante jornada dos humoristas Maurício Meirelles e Daniel Zukerman durante o período de isolamento social. A dupla conseguiu enxergar rapidamente uma série de oportunidades para entretenimento graças aos novos hábitos destes tempos.

Pelo menos duas vezes por semana, reúnem-se em uma live para aplicar trotes em outros internautas que também estão deliberando com o público em transmissões ao vivo no Instagram. O resultado quase sempre é hilariante.

A parceria já era bem estabelecida graças ao canal Varanda Gourmet no YouTube. Mas o crescimento das lives na rede social de Mark Zuckerberg fez com que a produção de conteúdo se intensificasse por lá.

Para pregar peças nos incautos, Meirelles e Zukerman contam com o engajamento da audiência. Tanto para encontrar figuras pitorescas que estejam ao vivo quanto para definir qual será a pegadinha, tudo é conversado com o público. É uma comunidade bastante unida.

Os "colegas de auditório" invadem as transmissões com inquisições prosaicas como "sintoniza no SPORTV, estão falando de você" para um colunista de fofoca da Sonia Abrão, ou tentando convencer ex-participantes de reality shows a fazer polichinelo e, no que se tornou o bordão mais clássico da atração, pedindo para todos os interlocutores saldarem uma dívida com um tal de Adalberto.

A cantora Anitta participou de alguns episódios como cúmplice, inclusive aparecendo de surpresa das transmissões de ilustres usuários da rede.

É o cúmulo da piada interna, moldando um mundo de alegria apenas para aquelas poucas milhares de pessoas que acompanham tudo com atenção nos perfis dos humoristas.

Ao mesmo tempo, é um interessante exercício de engajamento como objetivo final no entretenimento. Só dá certo por conta da parceria com o público —algo bem diferente de simplesmente ler tweets em um telão, que é como a TV tradicional ainda enxerga o conceito de interatividade.

Com uma abordagem quase experimental, mas extremamente palatável. Meirelles e Zukerman reinventam o conceito de programa de auditório para o presente. Cada um na sua casa, mas vibrando como se fosse o Teatro Fênix.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney