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Brilha muito! Caio Coppolla faz o papel de Zina do Pânico na CNN

Caio Coppolla e Zina do Pânico: estranha simetria? - Reprodução
Caio Coppolla e Zina do Pânico: estranha simetria? Imagem: Reprodução
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

10/07/2020 15h25

"Ronaldo! Brilha muito no Corinthians." Zina surgiu para o grande público graças a esta frase, dita de maneira espontânea em uma das matérias anárquicas produzidas pelo programa Pânico na TV. Repetida à exaustão em contextos inusitados pelos editores, acabou se tornando um bordão —ou um pré-meme.

A grande audiência que o humorístico de Emílio Surita conseguia na primeira década do século 21 transformou aquele cidadão comum em grande celebridade. Atenta ao interesse que Zina causava, a produção logo tratou de incluí-lo no elenco.

Por meses a fio, acompanhou Sabrina Sato e Alfinete em ritmo frenético. Chegou a protagonizar quadros em que sua história era narrada em tom emotivo, atraindo muito público.

Não sei se o Pânico ria com o Zina ou justamente do Zina. Muitas vezes, fazia os dois. Antes e depois dele, a atração foi pródiga em dar espaço para figuras pitorescas de diferentes origens. De Charles Henriquepédia a Marcelo Zangrandi, passando por Nicole Bahls e Confuso Sobrinho, quanto mais bizarro, melhor.

Também não é possível afirmar se Caio Coppolla é contratado da CNN pela convicção de que suas opiniões são relevantes para "grandes debates", ou simplesmente por conta do burburinho que o absurdo provoca.

Egresso da mesma Jovem Pan que o Pânico, o comentarista aposta na radicalização para justificar as mais injustificáveis decisões do governo, em especial do presidente —seu próprio Ronaldo.

Os responsáveis pelos contrapontos ponderados acabam sendo identificados por parte do público como representantes da esquerda, algo que não ajuda necessariamente a explicar os posicionamentos legítimos de Gabriela Prioli ou Augusto Botelho. Com isso, vulgariza-se ainda mais o debate político no país.

Por mais satisfatório que seja ver a troca de bordoadas argumentativas na rinha de opiniões da CNN, dar risada é não perceber que a piada é com o público.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney