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Chico Barney


Mistérios Sem Solução: Netflix transforma dramas reais em novela interativa

Mistérios Sem Solução: Rey Rivera e seu amigo Porter Stansberry  - Reprodução
Mistérios Sem Solução: Rey Rivera e seu amigo Porter Stansberry Imagem: Reprodução
Chico Barney

Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002.

Colunista do UOL

27/07/2020 20h56

Até pouco tempo atrás, era comum ouvir atores e atrizes de novela reclamando de levar guarda-chuvadas de transeuntes nas ruas, indignados com os papéis de vilões que desempenhavam nas novelas. No jogo lúdico da televisão, muita gente confunde dramaturgia com realidade.

A ascensão do gênero de documentários true crime, retratando casos policiais da vida real em um esquema folhetinesco, deu a cada telespectador seu próprio guarda-chuva.

Desde o lançamento de Making a Murderer em 2015, a Netflix tem sido especialmente bem-sucedida ao retratar dramas verdadeiros com o apuro dramatúrgico das melhores séries.

O fascínio pelas histórias pitorescas criou uma legião de entusiastas que passam horas levantando novas pistas em fóruns e redes sociais.

Com isso, a cultura de fandom vai chegando a outro nível: os internautas não debatem apenas os rumos dos personagens na trama, mas também empreendem investigações informais por conta própria.

Nesse sentido, Mistérios Sem Solução, reboot de um programa que foi ao ar originalmente pela NBC em 1987, tenta levar essa interação a um novo patamar.

Como o nome promete, os casos não possuem um desfecho conclusivo. É como se os produtores convidassem os telespectadores para um trabalho de coautoria. Entregam as contradições mais relevantes e deixam o resto da missão para a inteligência coletiva da internet.

O marketing está pesado. A plataforma criou um perfil no reddit, popular fórum em que usuários destilam teorias sobre os mais variados assuntos, e também liberou algumas pastas no Google Drive com informações complementares a respeito dos casos retratados nos seis primeiros episódios.

Palavras-chave como maçonaria e abdução alienígena são gatilhos que ajudam a engajar os núcleos mais radicais, ávidos por conspirações globais e outras ladainhas.

De qualquer forma, mesmo para quem prefere curtir a série investindo menos esforço emocional, trata-se de um excelente entretenimento. E por mais comedido que o amigo leitor porventura seja, vai ser difícil não andar com um guarda-chuva por aí.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Chico Barney