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Mocinho ou vilão? Babu é o personagem mais complexo do 'BBB 20'

Babu Santana, um dos confinados do "BBB20" - Reprodução / Internet
Babu Santana, um dos confinados do "BBB20" Imagem: Reprodução / Internet
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

12/03/2020 15h41

Resumo da notícia

  • Ator tem oscilado entre favorito e rejeitado pelo público nas últimas semanas
  • Brother, que já falou sobre desconstruir preconceitos, foi acusado de homofobia
  • Comportamento de Babu tem sofrido críticas por brigar por comida e fazer declarações machistas

Dificilmente alguém sobreviverá à vigésima edição do "Big Brother Brasil" sem ter passado por algum cancelamento. A lente de aumento sobre o comportamento dos confinados na casa mais vigiada do país é cada vez maior e impiedosa. Muitos, no entanto, têm dado um nó na cabeça de quem acompanha o cotidiano do reality show mais de perto. É o caso de Babu Santana, que já foi de favorito a criticado muitas vezes.

A trajetória do ator, famoso por ter interpretado Tim Maia no cinema, faz dele o personagem mais complexo do atual "BBB". Vindo de uma comunidade no Rio de Janeiro, Babu tem no currículo diversos personagens envolvidos com o crime. Sempre foi enquadrado - injustamente, diga-se - em uma categoria específica no mundo das artes. Dentro do programa, de início, se viu de fora por fugir à faixa etária e aos padrões dos outros participantes. Classificou alguns como "de plástico". Muitos não se inibiram ao dizer que ele tinha "cara de bravo", para dizer o mínimo. Não demorou e foi indicado ao paredão na segunda semana do reality.

No meio da explosão do escândalo do plano de testar a fidelidade das famosas da casa, o ator não escondeu seu posicionamento. Deu uma aula a colegas como Lucas e Hadson sobre machismo e disse estar em processo de desconstrução. Nas escolhas de duplas para a prova do líder, chamou atenção de todos e afirmou que era alvo de gordofobia. Curiosamente, não foi acolhido pelo grupo empoderado da casa formado por Marcela, Pyong e companhia - Thelma sendo a exceção. Sozinho, encontrou justamente em Felipe, um dos acusados de machismo, a quem criticou o comportamento, um amigo e com ele selou aliança.

Considerado ranzinza por muitos, criticou o desperdício de comida na casa e brigou por feijão e rapadura com Manu e Flayslane. Ao se negar a cozinhar no dia do último paredão, foi assunto para Ivy, que, pelas costas, disse que ele decretou greve em dia de paredão, como se fosse a obrigação dele preparar a comida de todos. Junto com Marcela, aliás, a mineira riu da forma física do ator enquanto ele dormia.

Ao mesmo tempo em que trouxe para debate assuntos importantes, Babu também teve atitudes machistas: criticou Bianca pelo jeito que dançava, disse que Felipe teria "um cardápio" de mulheres quando saísse do jogo. Também foi homofóbico e chamou Daniel de "viadinho". Faltou reconhecer em si mesmo que segue reproduzindo comportamentos condenáveis. Ao mesmo tempo, parece disposto a ouvir toques de amigas, como Thelma.

Como pode, afinal, um homem de falas homofóbicas e machistas ainda assim emocionar o Brasil ao sobreviver ao paredão aos prantos? A resposta para isso pode estar em dois fatores. Os espectadores simpatizaram com o isolamento de Babu. Ou entenderam que muitas de suas queixas eram reais - desperdiçar comida em um país como o Brasil é assunto sério. No geral, o sentimento é que o ator, julgado por todos, ainda tem muito a melhorar. Mas talvez tenha acertado mais do que errado até agora. Falta quem lhe dê o toque de como corrigir as últimas - e graves - falhas.

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