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Clarissa Pinheiro, vilã em 'Amor de Mãe': 'Torço pela redenção da Penha'

Clarissa Pinheiro - Sergio Baia/Divulgação
Clarissa Pinheiro Imagem: Sergio Baia/Divulgação
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

15/03/2020 13h20

Resumo da notícia

  • Antes mocinha, personagem de amor de mãe virou agiota e assassina
  • Para atriz, Penha virou uma mulher imprevisível, mas recuperável
  • Clarissa Pinheira arrisca um final para a personagem: "Queria ver como ela seria como mãe"

No ar como Penha, em "Amor de Mãe", Clarissa Pinheiro tem dado um nó na cabeça dos espectadores da novela das nove: afinal, como uma ex-empregada doméstica dedicada e apaixonada foi se envolver com o mundo do crime e andar em más companhias como Belizário (Tuca Andrada)? A personagem, que tem ganhado cada vez mais destaque na trama de Manuela Dias, será presa nos próximos capítulos, mas este não será o fim de sua trajetória. Clarissa, que há dois anos emplacou outra mulher forte na televisão, a Gil, de "Onde Nascem os Fortes", conversou com a coluna.

Afinal, Penha é mocinha ou vilã?
Ninguém é uma coisa só. Somos mocinhos em determinadas situações e vilões em outras. Penha é uma pessoa fiel a quem trabalha, movida pela paixão. Mas não há como negar que suas escolhas e atitudes a tornaram, sim, uma criminosa. Já não é uma questão de vingar o marido assassinado. Ela se tornou, além de agiota, uma assassina. Mas torço por sua redenção.

Como você avalia a trajetória da personagem, que começou a novela sofrendo injustiça da patroa e perdendo o marido para virar agiota?
Acho que o desejo de vingança acomete qualquer e todo ser humano, em algum momento de sua vida. Penha foi muito injustiçada no início da trama e querer devolver na mesma moeda foi algo até compreensível. No entanto, movida por esse sentimento destruidor de vingança, ela ultrapassou limites morais que dificultam sua defesa. Além de agiota, agora assassina. Um caminho lamentável que ela resolveu percorrer e que provavelmente só lhe trará consequências negativas.

Você faz parte de um grupo de atores que não vem do eixo Rio-SP, tão comum nas novelas. Tem sido mais fácil para pessoas de outras regiões conseguirem emplacar personagens nas novelas?
Acredito que sim. Vários fatores contribuíram para essa evolução da televisão brasileira no que diz respeito à diversidade. A chegada das séries me parece ter sido um grande estímulo para que a TV aberta experimentasse novas caras, diferentes sotaques e tipos físicos em suas tramas. Estamos num movimento saudável de abraçar quem somos, deixando de lado projeções que não condizem com nossa realidade. E essa representatividade na TV - com todo seu alcance - é mais que necessária.

Você ainda mora no Nordeste, está fazendo ponte-aérea?
Eu moro no Rio de Janeiro há dez anos. Muita gente acha que ainda moro no Recife, mas já faz uma década que vivo aqui. Visito minha terra pelo menos duas vezes por ano. Sinto saudade da comida, dos amigos, da família. Mas essa cidade maravilhosa me abraçou com muito carinho e, além disso, foi aqui que me encontrei profissionalmente. Não posso negar a paixão que tenho pelo Rio. Me sinto em casa.

Tem sido muito reconhecida nas ruas?
Mais do que eu esperava, confesso! Muita gente na rua me dizendo que antes torcia para que eu me vingasse do Belizário, mas que agora a torcida é pelo romance dele com a Penha. Outras decepcionadas com a mudança da Penha. Isso é interessante, porque essa dualidade humana existe e, ao ser tratada numa novela, deixa os personagens com camadas muitos mais profundas. De qualquer forma, me sinto muito gratificada de receber tanto carinho, mesmo interpretando uma vilã!

Você emplacou duas personagens muitos fortes em "Onde Nascem os Fortes" e "Amor de Mãe". Dá para estabelecer comparação entre as duas e as experiências? Uma novela no sertão, outra urbana.
Gilvânia e Penha. Bota de cowboy versus salto alto, com tantas diferenças, mas que se encontram num ponto crucial: duas mulheres fortes e fiéis escudeiras. Essa semelhança de atitude com maneiras de ser tão diferentes é a prova da riqueza de uma personagem. Um mundo inteiro a se descobrir.

Se você pudesse escolher o final de Penha qual seria? Ela precisa de redenção?
Nossa, não sei o que esperar da Penha. Ela se tornou tão imprevisível! Mas gostaria que ela se redimisse de alguma forma. Sei lá... Já que a novela é sobre "Amor de Mãe", fico curiosa imaginando como seria a Penha mãe. Se os valores dela mudariam. Mas deixo o desfecho dela para quem entende bem do assunto. Manuela Dias e sua equipe estão arrasando. Cada capítulo tem uma nova emoção. E que venham os próximos!

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