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Reality da quarentena, 'The Circle Brasil' repete estereótipos do americano

Participantes do "The Circle Brasil" - Reprodução
Participantes do "The Circle Brasil" Imagem: Reprodução
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

19/03/2020 16h22

Resumo da notícia

  • Novo vício produzido pela Netflix, reality tem participantes confinados em um prédio
  • Assim como nos tempos atuais, concorrentes vivem isolamento e se comunicam por rede social
  • Perfil dos participantes repete os mesmos estereótipos da versão americana

Depois de "Casamento às Cegas", um novo reality show tem ganhado seguidores fiéis na Netflix e remete bastante aos tempos de isolamento social por causa do coronavírus. Formato já explorado em outros países, "The Circle Brasil" foi inteiramente gravado em novembro do ano passado, em Manchester, na Inglaterra, no mesmo cenário onde foi rodada sua versão inglesa. Comandado por Giovanna Ewbank, que participa apenas na narração na imensa maioria do tempo, o programa confina em um prédio, cada uma em um apartamento, um grupo diverso de pessoas. Assim como tem acontecido no mundo nos últimos dias, o único contato entre todos se dá por meio de uma rede social parecida com o Facebook chamada Circle, onde todos criam perfis e se avaliam. Os menos populares acabam bloqueados e são substituídos até que o mais popular ganhe um prêmio em dinheiro.

Dito assim, o reality parece uma ode ao que de mais fútil e nocivo há nas redes sociais, mas vai bem além disso. Muitas dos participantes resolvem enganar os concorrentes e criam perfis falsos. A graça na atração é que ninguém sabe se está falando com alguém real ou não. Assim como ocorre em atrações do gênero, como o "BBB", o formato recorre a estereótipos bem definidos.

Os primeiros seis episódios já dão mostras de que a edição brasileira repete muitos dos arquétipos vistos no americano, por exemplo. Um dos mais populares no jogo, Rafael Dumaresq é um homossexual que não tem medo de flertar com o figurino colorido e, muitas vezes, encarado como feminino, assim como o maquiador Chris, dos EUA. A paraibana Ana Clara, assim como a modelo Alana, desperta a desconfiança de todos por ser bonita demais. Gaybol, viciado em videogames, equivale a Shubham, nerd e pós-graduado. Responsáveis pelo perfil de Luma, os gêmeos Lucas e Marcel jogam em dupla, assim como Ed, que entrou acompanhado por sua mãe na disputa. Raf parece carismático como Alex. Já Loma é uma lésbica divertidíssima que, assim como Karyn no exterior, se esconde atrás de um perfil fake e desperta suspeitas. Lorayne é moderninha e bissexual como Sammy. O bonitão JP ocupa o mesmo posto de sedutor de Joey.

A versão brasileira do "The Circle" pode até repetir os tipos do exterior, mas tem participantes mais carismáticos e complexos. O que se prova é que, por mais que o formato seja bem-sucedido, são as personalidades de seus concorrentes que fazem com que os espectadores se interessem. Em tempos de quarentena, é uma boa diversão assistir a outras pessoas em isolamento social.

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