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Daniel conseguiu unir o Brasil em uma só causa: tirá-lo do 'BBB'

Daniel, eliminado da semana do "BBB 20" - Reprodução/GlobosatPlay
Daniel, eliminado da semana do "BBB 20" Imagem: Reprodução/GlobosatPlay
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

24/03/2020 23h45

O começo do jogo já mostrou que essa temporada do "BBB" mobilizaria multidões. Desde que Petrix foi acusado de assediar Bianca, as atenções se voltaram de maneira ainda mais voraz para a casa mais vigiada do país. Com a revelação do plano de Hadson de testar a fidelidade das mulheres famosas do programa, a lente de aumento se fez ainda mais poderosa. Por semanas, o público pareceu unido em uma só causa: eliminar que acusou de machistas. Petrix e Hadson deixaram o reality com porcentagens em torno dos 80%. Dois participantes que não estavam envolvidos em tais polêmicas, no entanto, despertaram tanto ranço quanto. Victor Hugo deixou o jogo com 85%. E Daniel não fugiu à regra: 80%. Igualou-se aos que ajudou a derrubar em sua chegada.

O namorado de Marcela conseguiu um feito: unir o país em uma só vontade e dar uma singela alegria na quarentena. Parece ironia, mas não somente. As redes sociais dão conta de que a paciência com o gaúcho estava se esgotando. Desde que entrou na Casa de Vidro, Daniel foi envolto em uma aura de militância. Houve quem dissesse que era bissexual, que era ativista do meio ambiente, e, portanto, teria afinidade com o grupo feminista do "BBB", liderado por Marcela. Dentro do shopping, o ator abriu descobriu que a médica era muito popular. Ao ser escolhido para entrar no jogo, foi direto nela. Contou quantos milhões de seguidores ela tinha ganhado no Instagram, contou tudo o que colheu de informação via cartazes e ignorou solenemente o grupo do qual Felipe fazia parte. Não demorou e engatou - convenientemente, vamos combinar - um romance. O ativismo se esvaiu no momento em que passou a tomar longos banhos e não economizar água, assim como desperdiçar a comida que colocava no prato ou regar as plantas com suco.

Não bastasse isso, Daniel passou a ignorar constantemente as múltiplas punições que tomava e ignorou a perda de estalecas. Sem se preocupar com as contas do mês, continuou com saldo baixo da moeda corrente no jogo. Ao saber de Tiago Leifert sobre as regras de higiene por causa da pandemia do coronavírus, limpou a boca em uma rede comunitária e mexeu café com o dedo. Esqueceu de pensar no coletivo, que seu grupo, autointitulado comunidade hippie tanto alardeia. Assim como Marcela, ignorou o tratamento frio e, por vezes ofensivo, dispensado por Ivy a Thelma e Babu. Ao invés de mostrar empatia, somou a um discurso de exclusão.

Daniel quase entrou no "BBB 17" há alguns anos. Por pouco não foi selecionado para entrar na casa em dupla com seu gêmeo na edição que teve Emily e Mayla. É de se questionar se, imaturo à época, não teria irritado ainda mais o Brasil todo. A saída de Daniel não só dá alegria aos espectadores como será um interessante despertar para o bloco que soma a maioria no jogo. Talvez Marcela perceba que não é tão poderosa quanto na época da casa de vidro e novas alianças sejam formadas.

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