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Silvio Santos se recusa a falar sobre Elke Maravilha para biografia

Elke Maravilha é retratada no livro "Mulher Maravilha", de Chico Felitti -
Elke Maravilha é retratada no livro "Mulher Maravilha", de Chico Felitti
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

24/04/2020 16h27

Resumo da notícia

  • Dono do SBT afirma não ter "absolutamente nada" para falar sobre a ex-jurada
  • Livro de Chico Felitti detalha a rusga entre a ex-modelo e o patrão, que culminou na perda de um programa
  • Relação dos artistas não era amigável nos últimos anos

Pouca gente sabe, mas Silvio Santos guarda mágoa de uma de suas juradas mais famosas. Procurado para dar depoimento sobre Elke Maravilha (1945-2016) para a biografia da ex-modelo de Zuzu Angel (1921-1976), o dono do SBT recusou. Foi o único dos procurados a declinar do convite.

A razão da rusga entre os dois vem desde antes do tempo do "Show de Calouros" e é contada no livro "Mulher Maravilha", no qual Chico Felitti reúne episódios da vida e da carreira da Elke. Quando procurado pessoalmente pelo escritor, Silvio disse: "Ah, a Elke? Que maravilha. O que eu tenho pra falar sobre ela? Absolutamente nada". A obra está disponível primeiramente em audiobook por meio da plataforma Storytel.

Nos anos 70, depois de deixar o programa de Chacrinha na Tupi por falta de verba, Elke pediu emprego para Silvio Santos, que a contratou. Na época, já se mostrava rebelde e não atendia aos sinais do patrão para votar nos calouros que ele queria sagrar campeões. Além disso, achava o formato "americanizado".

Anos depois, a jurada deixou o programa de Silvio Santos e voltou para Chacrinha, o que desagradou o patrão. Com a morte do velho guerreiro, Elke pediu novamente emprego para Silvio e, para surpresa geral, foi contratada. Mesmo seguindo com as desavenças, ela é promovida a apresentadora de um talk show no começo dos anos 90.

Em quatro meses, o SBT põe no ar um programa totalmente novo para ela, que passa a ignorar os bilhetes enviados pelo patrão - pedindo mudança de figurino e o uso de óculos - e faz entrevistas politizadas, abordando temas como homofobia e racismo. Para azar de Elke, um dia, ao sair da casa de Leão Lobo, ela torce o pé e precisa ficar uma semana afastada do trabalho. Na volta, descobre que seu camarim estava ocupado por integrantes do "Aqui Agora" e havia perdido seu programa. Apesar de dar boa audiência, a atração não durou seis meses.

Desde então, a ex-jurada não mostrava amores pelo dono do SBT em entrevistas. A mágoa, pelo visto, era recíproca e entra para os anais da TV brasileira.

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