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Chica Xavier foi grande voz para a comunidade negra na TV - e merecia mais

A atriz Chica Xavier, que morreu neste sábado (8), aos 88 anos, com o marido, Clementino Kelé - Reprodução/Instagram
A atriz Chica Xavier, que morreu neste sábado (8), aos 88 anos, com o marido, Clementino Kelé Imagem: Reprodução/Instagram
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

08/08/2020 13h09

Resumo da notícia

  • Atriz morreu na madrugada deste sábado (8), aos 88 anos, em decorrência de um câncer de pulmão
  • Chica tinha mais de 60 anos de carreira e participou de novelas como "Sinhá Moça" e "Força de um Desejo"
  • Com longa história no teatro e no cinema, atriz era importante voz do movimento negro

A arte brasileira perdeu um de seus nomes mais relevantes neste sábado (8). Aos 88 anos, Chica Xavier saiu de cena por causa de complicações relacionadas a um câncer de pulmão. Com mais de 60 anos de carreira, a atriz é uma pioneira. Desbravou o teatro, o cinema e a TV em tempos que racismo não era discutido nas relações profissionais e esteve em obras fundamentais para a comunidade negra. No Teatro Municipal, em 1956, estreou na montagem de "Orfeu da Conceição". Desde então, emplacou uma série de trabalhos importantes.

No cinema, participou de produções icônicas, como "Assalto ao Trem Pagador", de Roberto Farias, em 1962. Mas foi na televisão que a atriz encontrou a fama, emplacando papéis em produções históricas como "A Cabana do Pai Tomás" (1969), "Os Ossos do Barão" (1973) e "Dancin'Days" (1978). Nos anos 80 e 90, era vista com constância em produções como "Sinhá Moça" (1986), "Renascer" (1993) e "Força de um Desejo" (1999). Seu último papel nos folhetins foi em "Cheias de Charme", em 2012. Teve passagens por Globo, Band, Manchete e TV Excelsior.

Embora fosse figura muito popular, Chica recorrentemente era chamada a repetir os mesmos papéis, talvez por sua religiosidade sempre muita clara. Interpretou escravas e várias mães de santo - o que não é demérito, que fique claro -, por exemplo, sempre vista como uma figura cheia de sabedoria em boa parte de suas personagens. Faltou ousadia, no entanto, de autores, que poderiam ter aproveitado ainda mais de seu grande talento e lhe conferir uma maior variedade de papéis.

Sua importância, no entanto, não passou batida. Em seus mais de 60 anos de carreira, a atriz virou nome de centro cultural, teve a história contada em biografia, participou de mais de 30 novelas e 11 filmes, firmou uma parceria de vida com Miguel Falabella. Mas ela merecia mais. Chica era primeira-dama da arte nacional. Que seu legado siga vivo junto com o de outras pioneiras, como Ruth de Souza (1921-2019) e Léa Garcia - que merece homenagens em vida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL