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Leo Dias


Matheus Mazzafera: “Sofro homofobia pelo YouTube”. Empresa se defende.

Matheus Mazzafera - Arquivo pessoal
Matheus Mazzafera Imagem: Arquivo pessoal
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

25/09/2019 18h37

Conhecido por arrancar grandes revelações de celebridades em seu canal no YouTube, com a naturalidade de quem conversa com amigos íntimos na sala de casa, o youtuber Matheus Mazzafera atingiu recentemente a marca de cinco milhões de inscritos e mais de 650 milhões de visualisações, mas a relação dele com a plataforma de vídeos está se tornando difícil, como ele mesmo aponta. Em entrevista à Coluna Leo Dias, Mazzafera acusa o YouTube de homofobia. "Sofro homofobia velada e, às vezes, escancarada pela plataforma do YouTube. Não recebo deles o apoio que meus amigos héteros recebem. Meus vídeos monetizam menos e tenho problemas constantes quando tem outro gay, além de mim no vídeo.", conta.

O youtuber também critica a falta de representatividade LGBTQ+ em um evento nacional da plataforma, realizado nesta terça (24), em São Paulo. "Ontem, teve o maior evento do YouTube no Brasil, o Brandcast. Não teve um criador gay. Uma vergonha. Em novembro tem outro evento importante em Los Angeles. Vamos ver...", comenta Matheus, que se diz indignado com a diferença no tratamento. "Não vou mais me calar, não vou mais passar pano. No mês gay, fazem campanha, se dizem gay friendly, mas há uma diferenciação... Queremos igualdade.", completa.

Na entrevista, Mazzafera também fala do ritmo insano de gravações para dar conta de subir três vídeos diários em seu canal - "Quase morro", diz - e da forma como consegue deixar os entrevistados tão à vontade. "Eu sempre pergunto antes para o convidado até onde posso ir e se tem algo que ele não queira falar.", conta o youtuber, que aponta sua participação do extinto Vídeo Show, da TV Globo, como a realização de um sonho. "Me contrataram para fazer os quadros que eu criei. Foi como se a Globo me desse um carimbo de "verificado.", diz ele, que acredita que, hoje em dia, TV e internet são grande aliadas. "Quem não entender que as duas andam juntas e precisam uma da outra, vai ficar para trás.", decreta.

Mais que apenas entreter, Mazzafera quer usar a força que tem nas redes sociais para algo maior. "Quero lutar pelos direitos LGBTQ+. Já passei muito pano para homofobia e não vou mais tolerar isso, principalmente para os mais jovens terem uma vida e um futuro melhor.", revela o youtuber, que se diz orgulhoso e feliz com o papel que já desempenha nesse sentido. "Mesmo sem a ajuda do YouTube, meu canal realiza uma das maiores inclusões sociais do país. Levo diariamente gays, travestis, negros, gordos e todo tipo de pessoa à casa de milhões de famílias brasileiras , com muito orgulho. Durmo feliz e tranqüilo", finaliza.

Procurado para comentar as acusações de Mazzafera, o YouTube disse, em nota, ser radicalmente contra qualquer tipo de preconceito e esclarece que a plataforma não faz nenhum tipo de censura em conteúdo ou sua monetização. Além disso, a empresa afirma que tem orgulho de apoiar publicamente a comunidade LGBTQIA+, inclusive em eventos como a transmissão ao vivo da Parada LGBTQIA+, que foi destaque no evento Brandcast na noite de terça (24). Ainda de acordo com a nota, o YouTube também procura representar toda a diversidade da comunidade, não só nos convidados e ações, mas também na cobertura do tapete vermelho.

A plataforma também deixa claro que sua missão é dar a todos uma voz e revelar o mundo, acreditando que todos têm o direito de expressar opiniões e que o mundo se torna melhor quando as pessoas ouvem, compartilham e se unem por meio de suas histórias. O YouTube afirma ainda que possui um conjunto claro de diretrizes, que define claramente o que pode ou não estar na plataforma, e ressalta que, frequentemente, luta em juízo contra ações que, em contrariedade ao Marco Civil da Internet, buscam a censura de conteúdos de interesse público.

Leia entrevista com Matheus Mazzafera:

COLUNA LEO DIAS - Você chegou recentemente a cinco milhões de inscritos e já contabiliza mais de 650 milhões de views em três anos do canal no ar. Que balanço você faz desse período e o que Matheus Mazzafera espera daqui pra frente?

MATHEUS MAZZAFERA - Estou muito realizado e feliz com tudo que estou construindo. Não é que falei assim: 'Peraí rapidinho que vou ali tomar um sol e quando voltei meu canal estava assim!'. Ralei e continuo ralando muito. Quero seguir crescendo como profissional, como pessoa, e sempre levar alegria e entretenimento para as pessoas.

Você sobe um material novo todo dia. Como você consegue produzir tanto pra acompanhar esse ritmo?

Eu subo três vídeos por dia. Quase morro. Mas tô feliz, e meus seguidores estão felizes. Isso é minha maior recompensa.

Você vem do mundo da Moda. Essa transição foi fácil? O que você traz do mundo fashionista para o seu trabalho atual como entrevistador?

Sou formado e continuo amando Moda. Sou super fashionista, mas há 10 anos trabalho com TV e internet. Para ser fashionista, você tem que sair da comodidade e inovar. Acho que trouxe isso para minhas entrevistas. Sair da área comum, fazer matérias diferentes, perguntas inusitadas, sem enrolação...

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Você já passou pelos principais canais de TV, inclusive na Globo, onde participou do Vídeo Show. Como foi essa experiência e como você vê TV e Internet: como aliados ou concorrentes?

Trabalhar na Globo foi a realização de um sonho. E o melhor disso foi que não me contrataram para ser repórter. Me contrataram para fazer os quadros que eu criei. Foi como se a Globo me desse um carimbo de verificado! [risos] Hoje em dia, a TV e Internet andam juntas. Quem não entender que as duas andam juntas e precisam uma da outra, vai ficar para trás.

Como você consegue deixar seus entrevistados tão à vontade?

Amo o que eu faço. Faço com amor e autenticidade. As entrevistas são exatamente como converso em casa com meus amigos. Estrela de Hollywood e gari, somos todos iguais, fazemos as mesmas coisas e temos as mesmas curiosidades. Não fico com rodeio com ninguém. Pergunto o que minha vizinha quer saber. Sou verdadeiro.

Você já passou por alguma saia justa com algum entrevistado?

Não. Eu sempre pergunto antes para o convidado até onde posso ir e se tem algo que ele não queira falar. Uma boa entrevista tem que deixar o convidado à vontade também.

Como é a sua relação com o YouTube?

Minha relação como YouTube era boa, mas esta se tornando difícil. Antes de ser famoso, eu sonhava em ser famoso e, quando consegui essa 'fama', fiquei realizado. Sou grato por isso, mas vejo que não é mais isso que quero e procuro. Hoje quero lutar pelos direitos LGBTQ+. Já passei muito pano para a homofobia e não vou mais tolerar isso, principalmente para os mais jovens terem uma vida e um futuro melhor. Desde que abri meu canal, sofro homofobia velada e, às vezes, escancarada pela plataforma do YouTube. Não recebo deles o apoio que meus amigos héteros recebem. Meus vídeos monetizam menos e tenho problemas constantes quando tem outro gay, além de mim no vídeo. Lembro que há dois anos, antes de a Pabllo Vittar estourar, fiz um vídeo com ela, e ele ficou bloqueado por uns dois dias, porque a máquina do YouTube entendeu como impróprio, por ter a figura de uma drag. Foi extremamente desconfortável, e o pessoal do YouTube tentou me ajudar, mas só conseguimos [a liberação] dias depois. Tenho vários vídeos de desafios de casais no canal, que monetizam, mas tenho um com um casal gay, que é desmonetizado. Por qual motivo? Enfim, tenho vários exemplos. Sofro homofobia pela plataforma do YouTube diariamente. Se eu fosse um homem hétero teria privilégios. Nesta terça (24), teve o maior evento do YouTube no Brasil, o Brandcast. Não teve um criador gay. Uma vergonha. Em novembro, tem outro evento importante em Los Angeles. Vamos ver... Enfim, não vou mais me calar, não vou mais passar pano. Minha vida tá feita, mas muitos debaixo do arco-íris precisam da minha voz e de todo mundo que puder ajudar. O que me deixa mais indignado é que no mês gay fazem campanha, se dizem gay friendly, mas há uma diferenciação... Queremos igualdade.

Como você vê o seu papel frente à nova geração, que cada vez mais se informa e se forma através do conteúdo produzido nas redes?

Meu papel é levar diversão e entretenimento, porém sempre lutar pelo meu arco-íris e também por outras causas excluídas. Hoje, mesmo sem a ajuda do YouTube, meu canal realiza uma das maiores inclusões sociais do pais. Levo diariamente gays, travestis, negros, gordos e todo tipo de pessoa à casa de milhões de famílias brasileiras, com muito orgulho. Durmo feliz e tranquilo.

* Com reportagem de Geizon Paulo

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias