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Leo Dias


Por que jornalista esportivo tem vergonha de invadir intimidade de atleta?

Manchete de notícia sobre vida pessoal de Dudu - Reprodução
Manchete de notícia sobre vida pessoal de Dudu Imagem: Reprodução
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

02/12/2019 20h49

Nos últimos dias, a Coluna do Leo Dias tem publicado o que o povo mais gosta: fofoca envolvendo traição, com dinheiro e jogador de futebol. Mas estranhamente, a home (a capa, o lugar mais prestigiado do portal), por considerar um assunto menos adequado à seção de Esporte, ignora a história. (Não estamos falando mal da home, pelo amor de Deus. Se tem alguém na redação do UOL que é bajulado, esse alguém é quem controla a home page).

Mas, a coluna chegou à conclusão do porquê essas notas estão sendo ignoradas.

Jornalista especializado em esporte tem pavor de "ofender" o atleta falando de sua vida pessoal. Eles acham que fofoca é coisa menor, menos relevante. Mas todos sabem o quanto a vida pessoal dos craques afeta o futebol em campo.

Vamos lembrar do "Caso Bill Clinton". O mundo parou para saber se ele havia feito sexo oral em sua estagiária. Isso é jornalismo ou fofoca?

Agora, a coluna fará uma grande revelação: adivinha quem são as nossas fontes quando queremos vasculhar a vida pessoal dos jogadores? Eles mesmos, os tais jornalistas que não descem "ao nosso nível".

Fazer fofoca não é para os fracos e não difere em nada o jornalismo ortodoxo. Muito pelo contrário. A gente não espera a nota oficial, nem o resultado do jogo. O nosso trabalho é criar uma rede de informantes confiáveis dentro de um meio (o artístico), que todos sabem que não amam os jornalistas.

A impressão que se tem no jornalismo esportivo é que só é permitida fofoca da vida de Neymar. Aliás notícias de sua vida pessoal rendem mais do que seu atual futebol. A explicação para isso é simples: os cliques. Neymar é exceção porque dá visualizações. E é disse que a gente vive.

*Com colaboração de Lucas Pasin

Leo Dias