PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Leo Dias


Leo Dias

Dennis DJ fatura cerca de R$ 4 milhões por mês: 'Sem final de semana livre'

Dennis DJ fatura cerca de R$ 4 milhões por mês - Divulgação
Dennis DJ fatura cerca de R$ 4 milhões por mês Imagem: Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

09/03/2020 15h16

Provavelmente pelo menos metade dos funks que você conhece têm a produção de Dennis DJ, passando de "Cerol na mão", do Bonde do Tigrão, "Dança da motinha", "Tapinha não dói" até "Malandramente", "Quando DJ mandar", "Joga o copo pro alto (Vamos beber)", com Ronaldinho Gaúcho, e centenas de outros hits que são indispensáveis numa boa festa. E Dennis é um dos poucos que consegue transitar entre as baladas do subúrbio e das áreas nobres de qualquer cidade. Para isso, ele adotou uma estratégia simples: correu atrás das principais empresas de formatura e começou a tocar para os estudantes dos principais cursos pelo país.

Além disso, com média de 15 shows por mês e cobrando R$ 250 mil por apresentação, o queridinho das celebridades chega a faturar cerca de R$ 4 milhões por mês e foi um dos primeiros a inovar e lançar sua festa própria, o "Baile do Dennis". Com uma megaprodução, show de luzes, fumaça, a festa mistura funk, eletrônica e qualquer estilo que esteja em alta com uma empolgação que deixa todos dançando por mais de três horas seguidas (Em Guarapari, nos Espírito Santo, foram 8h).

Dennis sabe o que bomba e é uma máquina de fazer hits. Há quem diga que ele é um Alok do funk, mas para quem domina a noite do Rio desde 1995, ele não precisa de comparações. Por causa disso, a Coluna do Leo Dias conversou com Dennis nessa segunda-feira (09), bem no dia mundial do DJ, e ele contou tudo dos bastidores da música: das tretas dos cantores famosos aos clichês que já não aguenta mais ouvir nos funks.

COLUNA DO LEO DIAS - É muito curiosa e genuína sua carreira: sua estratégia foi virar a atração mais disputada das formaturas de colégios do Rio, para depois alcançar o mercado propriamente dito. Foi tudo pensado?

DENNIS DJ - Foi tudo pensado sim, porque eu queria atingir a classe A e B do Rio de Janeiro, com meu som e com a mistura que eu vinha fazendo do funk com a música eletrônica. Foi até proposital misturar o ritmo que essa galera já curtia, no caso a música eletrônica com a batida do funk, pra agradar mais e estar no ouvido deles misturado com um som que eles já estavam acostumados. Com isso eu fui atrás das empresas de formaturas do Rio pra apresentar o meu show. Deu super certo e consegui conquistar todo esse público A e B, que depois passou a frequentar o "Baile do Dennis", meu evento autoral que roda o Brasil.

Há um enorme preconceito em relação à sua profissão. Você, é de conhecimento público, que sabe fazer e produzir uma música sua, original. Mas como diferenciar um DJ que só aperta o play de um que sabe fazer música?

O público acaba se identificando e entendendo a vibe de um DJ/Produtor que cria, produz e toca. Eu mesmo produzo as minhas músicas e acho que eles conseguem observar isso no dia a dia. O processo de criação nos dias de hoje, com as redes sociais, está cada vez mais nítido. Os artistas e produtores que vão no meu estúdio acabam comentando, postando, assim como eu também, muitas vezes, me comunico com meu público através das redes sociais quando estou no estúdio. No show eu também faço algumas performances em bateria eletrônica ao vivo, isso ajuda o público a perceber a diferença entre o DJ que só aperta o play, do que sabe produzir sua música. Na hora da entrega (do show), é a hora do "vamo vê"!

O funk tem algumas palavras que viraram clichês e acaba que a maior parte das canções caiam numa obviedade absurda (Senta, quica, rebola...). O que você não aguenta mais ouvir no funk?

São exatamente essas palavras como "senta, quica e rebola" que não aguento mais ouvir no Funk. É difícil porque criaram uma demanda e precisamos embarcar nessa linguagem para estar dentro, caso contrário, sua música pode sofrer até um certo boicote nas playlists e não serem reconhecidas como "funk", indo mais para o lado "pop". Isso já aconteceu com músicas minhas como "Isso que é vida" e outras que já lancei, todas ficaram fora das grandes playlists de funk, mas nas pistas e nos shows são hit. Vou fazendo a minha parte, tem uma safra nova de músicas onde, mais uma vez, vou tentar sair do óbvio quando se trata das letras. Já são mais de 20 anos produzindo, inovando e evoluindo junto ao tempo. Vamos ver o que vem por aí!

O mundo de hoje é muito ágil e os sucessos mudam em uma velocidade absurda. Existe uma receita para uma música ter uma "durabilidade" maior?

Eu acho que a durabilidade maior de uma música é quando ela tem mais conteúdo: mais letra e mais melodia. Eu acabo indo mais por essa linha, então eu tenho músicas de anos atrás que não saem do repertório dos shows. A galera curte demais e fica imortalizado de alguma forma. Mas também considero importante toda a estratégia pensada em equipe para o lançamento de cada música: Tem músicas que são mais trabalhadas nas rádios, TV ou internet e outras são músicas virais pro momento, mesmo que o investimento em tempo e trabalho sejam menores, ela viraliza e é um sucesso ali naquele momento.

Há muitas brigas entre funkeiros e, muitas vezes, você acaba tendo que trabalhar com os dois lados. O que fazer numa situação dessas?

Graças a Deus eu não tenho treta com nenhum artista, mas fico atento na hora de fazer os remixes ou convidar pra fazer um feat pra não cometer nenhuma gafe. Às vezes, eu até pergunto para não criar um climão desnecessário, mas no geral é algo que não preciso lidar.

Minha avó tem 90 anos, explique para ela entender qual a diferença entre você e o Alok.

Vou te dizer que, anos atrás, tinha sim uma diferença, mas hoje em dia está tudo bem parecido. É uma tendência. Lá atrás, quando comecei com o "Baile do Dennis", sempre investi bastante na entrega e em efeitos especiais. Nos rodeios e grandes exposições, nos maiores eventos aqui no Brasil, eu fui o pioneiro como DJ em subir na mesa e interagir com o público, falando no microfone, colocando a galera no palco pra dançar e tantos outros momentos que só indo no show pra conhecer. Tudo isso fez sucesso, então outros DJs acabaram se inspirando, o que me deixa muito feliz por influenciar uma galera disposta a se conectar mais nos shows. Antigamente essa era a grande diferença, mas hoje em dia a diferença está no estilo musical. A minha raiz é no funk, a dele no eletrônico, mas ambos tocam um pouco de cada um nos shows.


Você pensa em parar de tocar com quantos anos?

Essa é uma coisa que não tem como prever, na verdade, nem está nos meus planos. Enquanto eu tiver saúde e o público curtir o meu trabalho, vou estar rodando o mundo. Minha grande inspiração disso é o David Guetta, ele tem 52 anos e está aí saradão tocando no mundo inteiro e mantendo uma carreira de sucesso. Eu me inspirei muito nele lá no início, quando ainda não tinha essa coisa do "DJ Showman/artista" aqui no Brasil. E sigo me inspirando até hoje, talvez seja por isso que não me vejo parando. Acredito que vai chegar uma época em que eu vou começar a escolher mais, tocar menos, fazer cinco shows por mês ao invés de 15, mas esse "pé no freio" será pra curtir mais a vida, a minha família, as coisas que conquistei com meu trabalho. Enquanto Deus me der saúde e o público gostar do que estou produzindo e dos meus shows, estarei trabalhando.


O melhor e o pior de ser DJ?

O melhor de ser DJ, sem dúvidas, é conseguir levar as pessoas para um outro lugar. Quando eu tô tocando, eu consigo transportar as pessoas para um universo paralelo: a pessoa está ali, entregue e esquece dos problemas que tem em casa ou no trabalho. É o momento em que entram em transe e eu percebo isso quando estou tocando e acabo me deixando levar por essa energia. Tanto que tem show que é pra eu tocar uma hora e meia e eu acabo tocando 3, 4 horas ou 8 horas, como aconteceu em Guarapari no início desse ano. A melhor parte é essa, ter essa conexão com o público e curtir aquele nosso momento. A pior parte é ficar longe da família, sempre viajando a trabalho, sem final de semana livre, justamente por ser os dias que faço shows. Não estou reclamando porque sou grato por tudo que tenho, mas essa é sem dúvidas a pior parte. Vale ressaltar que até hoje, ainda rola um preconceito em alguns eventos, e muitos dizem que nós "DJs", não somos "artistas". Graças a Deus, depois de seis anos rodando o Brasil, esse desrespeito já diminuiu bastante. É uma luta antiga, que espero que os mais novos não tenham que passar.

Quanto você cobra por show?
A média do cachê é de 250 mil reais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias