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CNN contrata jornalistas envolvidos em polêmicas de racismo na Record

Redação da CNN Brasil - Reprodução
Redação da CNN Brasil Imagem: Reprodução
Blog do Leo Dias

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Colunista do UOL

07/04/2020 16h49

No dia 9 de março, a Coluna do Leo Dias relatou que quatro jornalistas da Record Brasília foram demitidos da emissora após conversas de um grupo de Whatsapp, com teor considerado racista, serem divulgadas. Menos de um mês depois, três deles, no entanto, já foram realocados no mercado e são os novos contratados da CNN Brasil.

Entre eles, João Beltrão, ex-diretor de jornalismo da Record - que também foi demitido por não tomar medidas em relação ao tal grupo de Whatsapp - chegou à CNN Brasil mantendo seu cargo, assumindo a direção do "Expresso CNN", comandado por Monalisa Perrone. No Instagram, ele fez uma postagem já na nova emissora, em São Paulo, e escreveu: "De volta ao jogo. Vamos em frente! Obrigado a todos que torceram!".

Além dele, as repórteres Rachel Vargas e Gabrielle Varella também estavam relacionadas ao grupo da Record e já apareceram em reportagens na tela da CNN. As duas, no entanto, segundo relatos, não faziam parte dos comentários maldosos, mas foram demitidas da Record por integrar o grupo preconceituoso.

De acordo com apuração da Coluna, as jornalistas demitidas da Record Brasília faziam parte de um grupo no WhatsApp chamado "Resistência", onde circulava mensagens fazendo comentários maldosos sobre a aparência de colegas negros da redação. Num dos textos, uma das repórteres chega a comparar os lábios da vítima com ânus e outra chama uma colega negra de "Patolino", o pato preto da animação "Looney Tunes".

As contratações dos jornalistas que eram da Record caíram como uma bomba na antiga redação dos profissionais. Colegas que foram hostilizados estão inconformados por já encontrarem eles novamente trabalhando em uma emissora de televisão.

CNN Brasil comenta as contratações:

Procurada pela Coluna do Leo Dias, a CNN Brasil enviou uma nota exclusiva comentando as 'polêmicas' novas contratações. A emissora afirma que é contra qualquer atitude de discriminação, trabalha pela inclusão, e ressalta que apenas uma das contratações foi definitiva, as outras temporárias.

"Sobre os três jornalistas citados: um foi contratado em definitivo e as demais em caráter temporário, por 90 dias, para cobrir dezenas de outros profissionais fixos afastados em razão da pandemia do novo coronavírus. O departamento de Recursos Humanos da CNN Brasília fez as devidas checagens do histórico profissional de todos eles. Nada foi constatado no âmbito legal que desabonasse a contratação. Não há qualquer comprovação, demissão por justa causa ou sequer acusação formal da participação dos três nos episódios das supostas ofensas. A CNN Brasil reforça seu caráter pluralista e contrário a qualquer atitude de discriminação. Temos trabalhado diariamente pela inclusão em nosso quadro de funcionários em todo Brasil", informou a emissora.

*Com colaboração de Lucas Pasin