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Lula: Record e SBT estão uma "vergonha"; Globo "continua uma vergonha"

9.nov.2019 - O ex-presidente Lula se dirige a apoiadores em São Bernardo do Campo (SP) - Thiago Bernardes/FramePhoto/Estadão Conteúdo
9.nov.2019 - O ex-presidente Lula se dirige a apoiadores em São Bernardo do Campo (SP) Imagem: Thiago Bernardes/FramePhoto/Estadão Conteúdo
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Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

09/11/2019 16h15

No segundo discurso após ser libertado, neste sábado (09), em São Bernardo, o ex-presidente Lula voltou a colocar a Globo como alvo de ofensas e críticas. A emissora já havia sido citada na véspera, em Curitiba, na sua primeira fala, ao deixar a sede da Polícia Federal.

O tom do ataque foi dado assim que o ex-presidente começou a discursar. "Lá em cima está o helicóptero da Rede Globo de televisão pra falar merda sobre o Lula outra vez".

Adiante, Lula criticou não apenas a Globo, mas também o SBT e a Record: "Na prisão eu era obrigado a ver TV aberta. A TV do Silvio Santos tá uma vergonha, a Record tá uma vergonha e a Globo continua a mesma vergonha."

O presidente Jair Bolsonaro, ao protestar recentemente contra uma reportagem do "Jornal Nacional" que associou o seu nome às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco, também se referiu à Globo como uma emissora que "não tem vergonha na cara".

Lula emendou a crítica à emissora carioca falando sobre a cobertura do vazamento de mensagens da força-tarefa da Lava Jato, realizado pelo site The Intercept em parceria com vários veículos: "Até agora, ela (a Globo) não colocou uma matéria do Intercept, que tá denunciando a Lava-Jato. A única matéria que ela fez foi pra defender o Faustão, que foi dar aula pro Moro".

A referência ao apresentador do Domingão se deve a um vazamento, divulgado pela revista "Veja", segundo o qual Faustão parabenizou Sergio Moro, em 2016, pelo trabalho na Lava Jato e deu conselhos ao então juiz como melhor se comunicar com a população.

Na sexta-feira, Lula citou a Globo em meio a críticas ao Ministério Público, Polícia Federal e Sérgio Moro, dizendo: "E eu quero lutar pra provar que, se existe uma quadrilha e um bando de mafioso neste país, é essa maracutaia que eles fizeram para tentar, liderados pela Rede Globo de televisão, criar a imagem que o PT precisava ser criminalizado e o Lula era bandido".

A GloboNews exibiu os dois discursos de Lula após deixar a prisão. Ainda antes do encerramento do segundo, a Globo divulgou uma nota de repúdio:

"A Globo repudia os ataques do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A prova de isenção da emissora é a transmissão do discurso que o ex-presidente fez ontem e hoje. Também é prova de sua isenção ser alvo de ataques dos extremos do espectro político hoje, tão radicalizado. A Globo faz jornalismo sério e continuará a fazer. Sem se intimidar e sem jamais perder a serenidade."

Repetição de erro na GloboNews

Um dia depois de a jornalista Natuza Nery se referir a Jair Bolsonaro como "ex-presidente", foi a vez de Gerson Camarotti, colega dela de Globo News, cometer o mesmo erro. Um pouco antes do discurso de Lula, falando sobre as estratégias do ex-presidente e do presidente Bolsonaro, o comentarista afirmou: "O ex-presidente Bolsonaro já estava perdendo parte do eleitorado".

O lapso de Natuza gerou uma reação forte de Bolsonaro, que enxergou algo mais que um erro na breve menção da jornalista: "Globo nos cita como ex-presidente! Muitos caem no jogo de 'equívocos rotineiros' inocentemente! Estamos mudando o Brasil!".

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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