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Mauricio Stycer


Carisma e língua solta de Susana Vieira se encaixam muito bem no "Se Joga"

Fernanda Gentil e Susana Vieira no "Se Joga" - Reprodução / Globo
Fernanda Gentil e Susana Vieira no "Se Joga" Imagem: Reprodução / Globo
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

11/11/2019 05h01

Em abril de 2016, fazendo várias experiências em busca de uma substituta para Mônica Iozzi no "Vídeo Show", a Globo se surpreendeu com a audiência de uma edição do programa com a participação de Susana Vieira. Dias depois, a atriz foi transformada em apresentadora fixa, uma vez por semana, ao lado de Otaviano Costa.

Susana permaneceu na função até o final daquele ano. Não resolveu o problema do "Vídeo Show", mas não atrapalhou. O dever ("Os Dias Eram Assim") a chamou de volta para o trabalho como atriz, mas ela mostrou que, realmente, tem jeito para a função.

Nesta última sexta-feira (08), Susana voltou a lembrar que tem o perfil ideal para animar um programa de variedades: "Eu não tenho pudor de contar o que aconteceu comigo na minha vida. Não tenho nada escuso, não tenho nenhum lado podre, nenhum lado negativo", disse a Fabiana Karla durante participação no "Se Joga".

Susana ocupou o problemático vespertino da Globo por 35 minutos. No primeiro quadro, falou com Fernanda Gentil sobre uma série de assuntos e personalidades. Foi um dos momentos mais divertidos do programa desde a estreia. Depois, comentou com Fabiana Karla os muitos memes já produzidos em resposta a declarações sinceronas que deu.

Um resumo dos melhores momentos de Susana Vieira no "Se Joga" ajuda a entender o poder do carisma e da língua solta da atriz. Veja:

"Vocês estão bem, não deram briga até hoje", disse Susana ao trio de apresentadores - Reprodução
"Vocês estão bem, não deram briga até hoje", disse Susana ao trio de apresentadores
Imagem: Reprodução

"Parabéns a vocês três na direção de um programa assim novo. Parabéns porque deve ser difícil, né, pra vocês, primeiro, se entrosar. É muita empatia pessoal. Cada um com uma empatia maior que a outra. E vocês estão bem, não deram briga até hoje. Então, uhu!!!"

"Eu sou do tempo em que o telefone tocava e a gente atendia. Eu odeio celular. Não gosto de nada no celular, tipo novela. Eles mandam atualmente os textos pelo celular. Agora, amor, a pessoa vai envelhecendo e vai perdendo a vista. E você vai operando, aí bota óculos, mas não tem sentido olhar naquilo lá o texto. Eu gosto de papel."

"Na família sempre tem um rico. Qualquer família tem um que vai ganhar mais que os outros. Eu ajudo a minha família? Não! Eu convivo com a minha família. Vou viajar, quero que toda a minha família viaje comigo. Se eu vou na classe executiva, é todo mundo na classe executiva."

"Fui agora passar quatro dias em Paris. Um pra ir, um pra voltar e dois pra ficar. Meus netos moram em Miami e foram pra Paris. Meu filho tava na Holanda e foi pra Paris. Eu peguei minha secretária e chamei ela. (Dirigindo-se a Fernanda Gentil) Olhe bem pra mim que talvez você se interesse pra próxima viagem. Eu costumo levar pessoas."

"Aquele médico é tão bom que o meu peito tá aqui até hoje"  - Reprodução/Globo
"Aquele médico é tão bom que o meu peito tá aqui até hoje"
Imagem: Reprodução/Globo

"Quem não tá feliz tem que cortar mesmo alguma coisa. Eu fiz uma grande cirurgia (plástica) quando eu tinha 50 anos. Foi assim: eu fiz da cabeça aos pés. Eu fiz aquele lifting (no rosto), aí eu fiz o peito, que eu tinha muito e não tava na moda peitão grandão. Foi há 20 anos. Hoje a pessoa coloca um quilo de peito de cada lado. Eu continuo com o meu peito, operado pelo doutor Pitanguy. Ele já morreu, até. Mas é tão bom aquele médico que o meu peito tá aqui até hoje. É o mesmo! E digo mais: não tem silicone, é meu, maciinho, se eu quisesse ter filho ainda podia dar de mamar."

"Uma vez eu fui beijada por uma pessoa que descobriu uma palavra muito boa. Ele falou que minha boca parecia um edredon. Olha, gente, que coisa amorosa! Aquele edredon bom, né? A minha boca é minha. Eu nasci assim. Eu sou brasileira, devo ter vários ancestrais que me proporcionaram pele boa... Eu tô falando da raça negra, é óbvio. Porque meus pais são mineiros, de Minais Gerais, um lugar que teve muitas nações negras. Então eu tenho a boca e quem tem boca não vai a Roma, não. Beija pra caramba."

"Ele (Cauã Reymond) me chama de sol. Isso escrito no Instagram tem um valor que vocês não sabem. Ele sempre falou pra mim: Susana, se você tivesse menos 30 anos eu pegava você."

"Eu fui a primeira a beijar o Tarcísio (Meira) sem ser a mulher dele e eu tinha muito medo disso. Dele me rejeitar, com medo da mulher, e geralmente os homens têm medo da mulher. E tinha medo da Gloria (Menezes)."

"Esse negócio de botar língua (em beijo de novela) é muito anos 90. Nos anos 70 não tinha isso esse negócio de língua. Língua é coisa nova."

"O (Antonio) Fagundes tem uns momentos de muito mau humor comigo, né, Fagundes? Nós temos um entrevero. Vou te contar depois, lá fora. Uma novela que a gente fez. Aí ele fez uma coisa horrível comigo, depois eu te conto."

"Esse ator (Mateus Solano) é muito especial. Ele cata as tartaruginhas, ele defende a ecologia, ele defende que as latas de lixo... Ele é um defensor da humanidade. Ele é humano, no sentido integral da palavra. O amor que tenho por ele é muito grande. É um amor de homem e mulher sem casar. Beijei muito você, querido. A gente se beijava na boca porque era uma mãe e filho meio incestuoso."

"Fiquei emocionada com o Tony, sabe por quê? A gente está há 50 anos trabalhando e a gente ainda está aqui. E eu ainda tô com número de corpo 42, 44 no máximo. Tá todo mundo grandão, né? Eu não tô, porque eu não deixo cair a bola."

Fica a dica: o carisma e a língua solta de Susana Vieira combinam perfeitamente com um programa como o "Se Joga".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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