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Mauricio Stycer


Bolsonaro deu 13 entrevistas exclusivas à Record e nenhuma à Globo em 2019

O presidente Jair Bolsonaro dá entrevista ao repórter Thiago Nolasco, da Record  - Reprodução / TV
O presidente Jair Bolsonaro dá entrevista ao repórter Thiago Nolasco, da Record Imagem: Reprodução / TV
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

03/12/2019 17h20

A estreia do novo horário de exibição do "Jornal da Record", agora às 19h45, foi celebrada nesta segunda-feira (02) com uma entrevista do presidente Jair Bolsonaro ao repórter Thiago Nolasco, em Brasília. Foi a 13ª exclusiva do presidente à Record, em 2019.

Um levantamento feito pela coluna indica que a emissora de Edir Macedo é, de longe, a favorita de Bolsonaro. Quem chegou mais perto, até o momento, foi o SBT. O canal de Silvio Santos conta oito exclusivas com o presidente. Está empatado com a Band, que também teve direito a oito entrevistas. A RedeTV! conseguiu fazer apenas uma este ano, com Luciana Gimenez. E a Globo, principal canal de TV aberta do país, está invicto - 0 exclusivas com o presidente.

Entre as entrevistas conseguidas pela Record estão duas conversas do presidente com repórteres da emissora durante agendas de trabalho (uma visita à casa da menina Yasmin e um culto no Templo de Salomão). Também foram incluídas duas exclusivas à filial da Record em Santa Catarina, que tiveram repercussão nacional.

Ao SBT, as entrevistas de Bolsonaro são de dois tipos - ao jornalismo da emissora e a apresentadores populares (Silvio Santos, Ratinho e Danilo Gentili).

À Band, chama a atenção a boa relação de Bolsonaro com José Luiz Datena. Ele já deu quatro entrevistas para o apresentador este ano e uma para o seu filho, Vicente, de uma filial da emissora em Goiânia.

Tratado como "inimigo" por Bolsonaro, o Grupo Globo conseguiu duas entrevistas exclusivas este ano - uma para o jornal "O Globo" e outra para o site G1. Para a TV, o presidente não falou ainda.

Relatório do TCU (Tribunal de Contas da União) divulgado pela Folha em novembro mostra que o governo Bolsonaro mudou também a lógica de distribuição de verbas publicitárias para TVs abertas ao destinar os maiores percentuais de recursos para Record e SBT. Embora seja a mais assistida do país, a Globo tem agora participação no bolo bem menor que a das duas concorrentes, o que não se verificava no passado, segundo o tribunal.

Em 2017, a Globo ficou com 48,5% dos recursos de publicidade oficial e, em 2018, 39,1%. Neste ano, com base em dados parciais, a fatia despencou para 16,3%. Os percentuais da Record foram de 26,6% em 2017, 31,1% em 2018 e, agora, 42,6%; os do SBT, 24,8%, 29,6% e 41%, respectivamente.

Segundo dados do Kantar Ibope, entre janeiro e outubro deste ano a Globo tem 33,1% do público da TV, contra 14,5% do SBT e 13,1% da Record. Os dados se referem às 15 principais regiões metropolitanas.

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